Translate

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Lentos

Palavras desenroladas
deslizam sensíveis aos que ouvem

encontros de luz
raios de silêncio desmedido
entre palavras lentas

assombradas enoveladas

insensíveis aos que dizem
como tempo que as marcou
dos que nelas se marcam

carris de um só caminho
que guardam infinitos de viagens
linhas desenroladas que, o horizonte une
arcos de palavras
que respiram momentos, lentos

palavras
conotadas ao que vivem
com palavras, das palavras
como ribeiros que passam sedes
como colheitas que renovam fomes

palavras
poesia de engolir fastios
de olhar tudo na dimensão de nada

palavras
sempre as mesmas
de nunca se repetirem
como traduções do mesmo ser
cruzando-se no infinito dos seres todos

palavras
na imagem que se revela
lenta
no claro escuro de aguardar manhãs
de sol e cor
no quente escuro dos olhos fechados
dos sentidos dormentes
despertando lentos

sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen.

82 decorria e eu andava de aqui para acolá,
carregando roupa como lastro
da leveza da cabeça.
Tinha musica em cassetes
duas de Leonard Cohen, Brahms
Bach, Oldfield e Carmina Burana
mais uma noção de saber tanto
que nem agora sei
o que na hora de ter certezas
eu sabia
rasgando folha a folha
dos cadernos que emagreciam
o guião de estar vivo.

82 decorria e na testa franzida
sonhava pensamentos certos
nos sons que ouvia, cimento que unia
as tolices de viver, ás tolices de sentir
como se a arca de estar vivo
tivesse prateleiras e gavetas
de sentir o calor com tempo
e o frio do voar lento em cada som


rasgado, momento a momento, certo em cada acorde
rouco de fazer, o que já está feito
refazer, o que nunca está feito
enquanto dura o tempo de franzir a testa
e pensar cada som, sonhando
o crescer e o derrubar de cada um
em cada tempo, momento de ser
Cohen, coerente e assim ser e ficar
eterno                              ser
em cada                           ser.




domingo, 6 de novembro de 2016

Sem Pausas.

O encher e o vazar
repetitivo
imitação em tudo
do coração que se cansa
de tudo

sala de espera
espaço de tempo alongado
do entrar e do sair
e o tempo sem pausas persiste

guinadas que se guardam dentro
caminhos que mexem o corpo
quieto de tudo mudar
inquieto de o sentir sem pausas
em silêncio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Silêncio de pertencer

Ser da estória
a folha
ainda branca

o vazio entre

nas gotas
corrente silenciosa
desaguando emoções
pintando ilusões
e sendo sem o saber
a estória do tempo
o tempero que adoça
e amarga
o tempo sem sabor
fel e mel
de quem o passa

Rolos e rolos perfeitos
mecânicamente enrolados
desenrolam linhas
que atravessam tempo
ganhando cores
nas que perdem
cobrindo distâncias
no que desenrolam
cobrando sensações
no que percorrem
no que provocam

desatino de um saber longo
sempre curto
branco
ilimitado

.

sábado, 10 de setembro de 2016

Janelas

Janelas da razão que se abre
batentes ao largo
ondulam imagens de estrelas
distantes calmas
ornamentos da lua cintilando

Janelas da cor engolida no olhar
sentimento cor de dentro

que a janela fecha
que a janela abre

janelas que rasgam ilustres quietos
lentas de um estio dentro

máscaras e areia que se espalha lenta
espelhos de reflexos atrasados
adiantam sonhos que o tempo esbate

embaciados pelo fechar da janela?

pelo respirar pesado de pensar o tempo
preenchendo espaço que afinal
estava cheio
esvaziando o vazio que se enche
de pensar o tempo que não pensa

procuro palavras úteis
como a fonte de Duchamp
interrogações no esgazear daqui
e Dali
e cores quentes neste tempo curvo
de o sentir enrolado
passando correndo e não quebrando
o que por si se quebra de vidros
janelas que se desfazem
no refazer de cada instante
que não pensa mas passa

Janelas
pontos sem fim





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sons

A maré leva
a maré traz
no que desfaz
se faz o tempo
e o silêncio
de ir
de andar
e ainda voltar

ao ruído de haver espaços
sensações e vidas
cantos abrigos
de sons e poesia

a maré traz e depois leva

sons encantados
de os ouvir nas pausas
de respirar antes
de respirar depois
em cada mergulho profundo
no silêncio dentro
fundo