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sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen.

82 decorria e eu andava de aqui para acolá,
carregando roupa como lastro
da leveza da cabeça.
Tinha musica em cassetes
duas de Leonard Cohen, Brahms
Bach, Oldfield e Carmina Burana
mais uma noção de saber tanto
que nem agora sei
o que na hora de ter certezas
eu sabia
rasgando folha a folha
dos cadernos que emagreciam
o guião de estar vivo.

82 decorria e na testa franzida
sonhava pensamentos certos
nos sons que ouvia, cimento que unia
as tolices de viver, ás tolices de sentir
como se a arca de estar vivo
tivesse prateleiras e gavetas
de sentir o calor com tempo
e o frio do voar lento em cada som


rasgado, momento a momento, certo em cada acorde
rouco de fazer, o que já está feito
refazer, o que nunca está feito
enquanto dura o tempo de franzir a testa
e pensar cada som, sonhando
o crescer e o derrubar de cada um
em cada tempo, momento de ser
Cohen, coerente e assim ser e ficar
eterno                              ser
em cada                           ser.




domingo, 6 de novembro de 2016

Sem Pausas.

O encher e o vazar
repetitivo
imitação em tudo
do coração que se cansa
de tudo

sala de espera
espaço de tempo alongado
do entrar e do sair
e o tempo sem pausas persiste

guinadas que se guardam dentro
caminhos que mexem o corpo
quieto de tudo mudar
inquieto de o sentir sem pausas
em silêncio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Silêncio de pertencer

Ser da estória
a folha
ainda branca

o vazio entre

nas gotas
corrente silenciosa
desaguando emoções
pintando ilusões
e sendo sem o saber
a estória do tempo
o tempero que adoça
e amarga
o tempo sem sabor
fel e mel
de quem o passa

Rolos e rolos perfeitos
mecânicamente enrolados
desenrolam linhas
que atravessam tempo
ganhando cores
nas que perdem
cobrindo distâncias
no que desenrolam
cobrando sensações
no que percorrem
no que provocam

desatino de um saber longo
sempre curto
branco
ilimitado

.

sábado, 10 de setembro de 2016

Janelas

Janelas da razão que se abre
batentes ao largo
ondulam imagens de estrelas
distantes calmas
ornamentos da lua cintilando

Janelas da cor engolida no olhar
sentimento cor de dentro

que a janela fecha
que a janela abre

janelas que rasgam ilustres quietos
lentas de um estio dentro

máscaras e areia que se espalha lenta
espelhos de reflexos atrasados
adiantam sonhos que o tempo esbate

embaciados pelo fechar da janela?

pelo respirar pesado de pensar o tempo
preenchendo espaço que afinal
estava cheio
esvaziando o vazio que se enche
de pensar o tempo que não pensa

procuro palavras úteis
como a fonte de Duchamp
interrogações no esgazear daqui
e Dali
e cores quentes neste tempo curvo
de o sentir enrolado
passando correndo e não quebrando
o que por si se quebra de vidros
janelas que se desfazem
no refazer de cada instante
que não pensa mas passa

Janelas
pontos sem fim





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sons

A maré leva
a maré traz
no que desfaz
se faz o tempo
e o silêncio
de ir
de andar
e ainda voltar

ao ruído de haver espaços
sensações e vidas
cantos abrigos
de sons e poesia

a maré traz e depois leva

sons encantados
de os ouvir nas pausas
de respirar antes
de respirar depois
em cada mergulho profundo
no silêncio dentro
fundo

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Gotas de eternidade em cada ser



Os laços que de um lado
corto
do outro me amarram
curto
no despedir de cada
momento
de os amarrar a todos
vivos
de os sentir longamente
mortos
a todos e a nenhum
repetidos
no adagio, na ária, na paixão
abraço
de sentir dor de não a ter
pertencer
como partida que regressa
ainda
ecos de momentos
agora

Gotas de eternidade penetram

ser

o meu de Bach, Albinoni
choro
a pequenez de me sentir enorme
dentro

domingo, 31 de julho de 2016

Momento a momento de nunca os entender.

De pequenino se torce o pepino
e o vento e o jeito dobram
vontades
verdades que se fazem
lapidares
únicas e certas
respostas de nenhuma pergunta
certeza sem incertezas.

A vontade existe
para ser dobrada
contornada como verdade
feita das mentiras
das verdades todas.

Caminho
miragem de estar quieto
no tempo e no ver
o tempo
de nunca o ver
o bastante
de nunca o sentir
o suficiente.


Encontro verdades como certezas
vivendo vidas
ideias
firmeza
em cada espelho vazio
em cada imagem que rouba
a luz de todos, perpassando sem dono
as imagens de todos, instante a instante
num agarrar que não torce
mas apaga, luz e cor e sonho
dos instantes eternos.

Molduras vazias
telas ainda infinitas
de estarem brancas, repletas de possibilidades.
Espelhos guardados no escuro
junto dos cristais das cores e de nenhuma sombra
ao lado da engrenagem dos instantes
sempre diferentes no desenrolar igual que os permite
diferentes
na luz que preenche de cor o espaço
e as sombras que preenchem o vazio
de o encherem de riscos e borrões
de vida e ilusões douradas
vazias, moldadas ao que abarcam
ao torcer do que é pequeno
e estoura.

Momentos quietos de os pensar
passaram velozes
e de um passeio se faz a Viagem
do amanhecer se faz o anoitecer
de um dia por entender
um a um
sempre.