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quinta-feira, 10 de março de 2016

Precursos dos percursos 2010.

47
Todas as palavras são ovelhas perdidas
de um redil sem pastor, de um cão sem dono
todas anseiam o rebanho que lhes dê sentido
o viver que as faça morrer
o sentido que as faça pertencer
ao que nem sabem de permissões e sentidos
que com elas se erguem vivos
e com elas tombam concretizados.

Depois da TABACARIA escrever
é o tentar que já foi feito.
Sou sublime, na minha dimensão, de tentar arrumar
o que para sempre se desarrumou na ordem certa
de um Universo possível.
Remexo constante os pedaços que sou
procurando sempre os condimentos que ainda não provei
e me dão o sabor do que por mim passa.

As palavras todas
permitem sublimar a dor de estar vivo
na felicidade de estar vivo
como se tudo fosse um jogo de aparências
e todas se encaminhassem para o mesmo concreto
impalpável concreto
que tudo resume a pouco e nada permite subsistir.

Multiplicam-se os reflexos estilhaçados
alheios dos espelhos que permanecem
imparciais e coerentes
no darem mas nunca completamente.

Ondulam as bandeiras lá no alto
e não há meia haste, todas são sim
para todas poderem ser não.




sábado, 5 de março de 2016

Atalhos


Atalhos perdidos
caminhos percorridos
encontrados

o entrelaçar de uma folha seca
de tantos caminhos nela percorridos
seca da seiva que correu
castanha do verde que comia sol

silêncio das palavras que faltam
ou das que sobram
incapaz de as desenredar, de as soltar
livres
do encerradas que as sinto
constantes
livres de me prenderem
encerradas de as ter presas

miudinho sossego
que nem sombras mexe

do intenso de ser luz
do escuro de a não ter

sentir do passeio os passos todos
de percorrer seivas vidas
de a todas sentir
perdidas
linhas rendilhadas percorridas
esquecidas nervuras de sempre
talhadas no tempo
que a todas recorda
percorrendo
percorrendo
securas vivas
verdes velhos
jovens castanhos de um sempre
permanente











domingo, 28 de fevereiro de 2016

Ana Paula.

A 2 de Março vão ser 29 anos de vida em comum com a Ana Paula, minha esposa, mãe dos meus filhos e paciente apoio de tantas horas más, companhia de tantos momentos bons.
Foi com ela, que decidi guardar o meu filho em casa, nunca duvidei do seu empenho e a prova está aí visível no Luís vivo, nos cuidados constantes que lhe permitem sobreviver,
Descobri à posteriori que poucos acreditaram na vitoria de amor que ela demonstrou, abdicando de tanto em prol dele.
O meu filho esteve morto nos meus braços, ressuscitaram dele o cerebelo, o cérebro reptiliano, foi o que me disseram, no Hospital, que por muito cuidado que tivessem com ele, o iam deixando morrer aos poucos.
Uma curta estadia numa Unidade de Cuidados Continuados, forma de despachar doentes que não se queixam, e a 19 de Outubro de 2009 foi deixado ir para casa, para morrer em casa, esgotados que estavam os tratamentos hospitalares, estava só com cuidados de conforto, para casa foi com a mãe, o irmão e o pai.
Depois foi descobrir que ele queria sobreviver, descobrir as dificuldades de manter um doente no estado dele, acamado e cego e alimentado por sonda, pela mãe que o cuida com a nossa ajuda.
Gastei o que pensava não ter para voltar a ser meu, sou tutor de um menino de 29 anos, agarro-me à vida dele, como se fosse a minha e descanso olhando-o, sentindo que ele me sente, na consciência mínima, que é o mundo dele, enquanto o meu mundo enorme se faz pequeno, de o complicar.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sinos de prata

O inicio se faz
no sentir da primeira célula
no útero de aconchegar e crescer

sentir ultrapassa os pensamentos
sentir é lançar fios de seda coloridos
e ver as uniões, que se fazem
as pontes de momentos
o eterno que reside em cada instante
de o sentir e depois pensar, sempre depois.

Anos que passam
acumulam presentes, momentos tecidos
como teias sempre novas, no recordar
no pensar nelas, teias sempre novas
armadilhas de tempo que se roça
e depois se pensa.

Navegar os amores
que ao porto amarram   este erguer
da cabeça
livre de olhar a paisagem   dos céus mais azuis
enquanto a vida se amarra aos fios finos de seda
que se entrelaça dentro, do sentir
do pensar, do entreter
do viver e de sonhar.

De quantas miudezas
se faz um amor pequeno?
de quantas se fazem os grandes, os muitos
que sinto nas cores todas, infinitas cores
como arcos que unem tempos

olhar sonhos
de os sentir sempre possíveis
e depois sonhar ainda
este arco de chuva
de estar vivo.

Sinos de prata
candeias de luz fraca
que nenhum vento apaga
espalham sentidos, como círculos
de partida e regresso
ao sentido, ao fino entre-tecido enrolar da seda
de sentir
e pensar
palavras como explosões de liberdade
neste sonho de estar preso à vida
ao sentir que não pensa
e depois pensa, fino
fiado
e vivo
entrelaçado caminho
de ser.







sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O tempo de ser

O vagar das folhas
nem sempre se faz
na hora de estar certo
há folhas que vagueiam
caminhos despidos
fora dos Invernos frios.

Folhas verdes fora do tempo
ou no tempo de tudo ter
o seu tempo
o de poucas vezes
ser
o de todos, de todas as folhas
verdes, castanhas e caídas
sempre no tempo de ser
de acontecer.

Dourados Outonos verdes
castanhas Primaveris ilusões
douradas no vaguear dos sonhos
no passear longe, de ficar quieto
no travo de envelhecer sonhos
quietos mutantes signos
de um vazio colhido como migalhas

sons de não haver
palavras de não as ter

param, perfilam paradas
os símbolos todos, parados, perdidos
encontrados e vazios

Nostalgia de um verde, que recorda o castanho
que cai devagar
neste aprender a viver dos momentos
que ensinam a morte de cada instante








segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sons vivos


Nostalgia
doença de fugir dentro
fundo e nunca negro
como viagem
aaaaaaaaos céus mais azuis
ao verde mais vivo
enquanto caem as folhas
castanhas. alaranjadas
molhadas
e o céu negro estremece em cada gota
que solta

vibrar o tempo
num ritmo que lhe pertence
guardado

caixas de sons
de musica,
melodias trauteadas
acumulam-se como pequenos órgãos
de tubos longos ressoantes
vivos
ressonância que brota de majestosas caixas
vivas
catedrais do som
da cor
do silêncio
que se faz azul
no derramar de cada gota
de vida sentida



O silêncio envolve os sons todos
como  caixa de os guardar a todos





sábado, 13 de fevereiro de 2016

Igual e diferente



Tempo sempre diferente
de acumular miudezas
que o fazem diferente

de serem sempre diferentes

acumuladas em lagos
como gotas de todos os lados

distantes universos
que se unem infinitos
de o serem sempre
diferentes
por momentos

Tempo sempre igual
neste deslizar que o faz diferente
flutuando sensações evaporadas
afundadas
no entender que se perde
e logo se encontra
sempre confuso e diferente
neste haver tempo igual
que desliza diferente

Tempo milagre permanente
de calor e frio e sentir sempre
este cruzar de linhas que ilumina caminhos
que se tocam                          que se cruzam
que se unem                           que se fazem
caminhos                                    novos