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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sons vivos


Nostalgia
doença de fugir dentro
fundo e nunca negro
como viagem
aaaaaaaaos céus mais azuis
ao verde mais vivo
enquanto caem as folhas
castanhas. alaranjadas
molhadas
e o céu negro estremece em cada gota
que solta

vibrar o tempo
num ritmo que lhe pertence
guardado

caixas de sons
de musica,
melodias trauteadas
acumulam-se como pequenos órgãos
de tubos longos ressoantes
vivos
ressonância que brota de majestosas caixas
vivas
catedrais do som
da cor
do silêncio
que se faz azul
no derramar de cada gota
de vida sentida



O silêncio envolve os sons todos
como  caixa de os guardar a todos





sábado, 13 de fevereiro de 2016

Igual e diferente



Tempo sempre diferente
de acumular miudezas
que o fazem diferente

de serem sempre diferentes

acumuladas em lagos
como gotas de todos os lados

distantes universos
que se unem infinitos
de o serem sempre
diferentes
por momentos

Tempo sempre igual
neste deslizar que o faz diferente
flutuando sensações evaporadas
afundadas
no entender que se perde
e logo se encontra
sempre confuso e diferente
neste haver tempo igual
que desliza diferente

Tempo milagre permanente
de calor e frio e sentir sempre
este cruzar de linhas que ilumina caminhos
que se tocam                          que se cruzam
que se unem                           que se fazem
caminhos                                    novos                        

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sentir




É sonho ou utopia
este sentir o que acontece
como linhas desenroladas
no que aparece
no que parece
e é sempre
tempo
vida
que acontece
neste sonho de sentir
esta utopia de viver
este morrer dos instantes
de os sentir como presentes
que o tempo desembrulha
na alma que a todos sente
e com todos vive
a morte de viver
e sentir

A fuga dos momentos



A fugaz passagem dos instantes
parece uma fuga que se instala
antes de cada instante

que passa, retarda e alonga
este sentir de cada um

no ir, no acabar de cada um
como corrente que surge
sempre nova

dos instantes?
de cada um?

de cada céu azul que logo passa
de cada sol que logo é noite
olho os pedaços azuis
dos momentos
os raios de luz de cada encanto
no escuro dentro
de o ter sempre
de o rasgar sempre
como se a noite fosse de papel
e os meus dedos lápis de cor

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Transbordar

Gotas que brotam leves
como palavras límpidas

gotas que correm e arrastam
a cor de serem dadas

a cor de serem recebidas
e nem sempre entendidas

em cada pequeno lago
em cada espelho corrido
em cada cor retida

de serem tantas as gotas
que se fazem correntes
de unirem margens

sábado, 30 de janeiro de 2016

O alongar do que é curto.

Curto sentir que se alonga vivo
longo  longo  longo  que se encurta
e nunca se completa.

As diferenças de serem necessárias
as diferenças de serem essenciais
o pagar delas constante
permanente
de ontem.

Calote eterno do que é diferente
do que fica, do que muda e depois fica
diferente de ser diferente.

cores diluídas como aguarelas das cores possíveis
escorrem segundos, pintados longos
escorridos curtos.
O sonho das cores impossíveis
guardado no lado certo
da cabeça que os fecha.

Porto guardado
garrafas com duzentos anos
encerraram essências que o tempo rodopiou
fechando imagens na poeira

como espelho

caída lenta e baça

garrafas perdidas no tempo
de as beber encerradas
sem viagens sem mensagens
fechadas no resguardar
no envelhecer dentro
duzentos anos
encerradas

e as estórias giraram perdidas e logo reencontradas
nas de todos os dias.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Palavras que escapam

Como se produz o silêncio
calando ou deixando correr

sons mudos

quietos silêncios
escapando-se
vivos, interrogativos, linhas
que se enredam como teias
de captar miudezas, belezas que o tempo enreda
pequenas coisas, como pequenos amores
de os sentir a todos
como grandes coisas, como grandes amores.

Silêncio
olho o meu filho, sereno e quieto
e sem que eu o queira
olho o revirar cego dos olhos belos
o tombar da cabeça para o meu lado.
Quebro o silêncio no som de estarmos vivos
em cada afago que me afago
de lhe pertencer.

O vazio das palavras, estrelas que ocorrem
vazio de existir
que enche silencioso
em cada palavra que marca
cada estrela
luzindo
e o vazio depois, sem palavras, repleto contudo
de ser caminho de estrelas, vazio de estar lá
repleto como caminho e haver estrelas.

De estar lá, de sentir, de estar...

Olho os meus
no silêncio de os sentir
sem palavras.
Infinito de pequenas coisas, que se fazem tudo
no despertar de olhar, olhar de novo
e sentir a grandeza de cada coisa pequena
guardada e polida como tesouro
de o sentir com spleen, sem spleen
somente com vida.

Teimo repetir o que nunca se repete
tento sentir o que nunca sinto
e aprendo a ser o que sou
no que não sou
em cada erro que se repete
e nem o sinto repetido.

Momentos de lhes sentir o peso
e a morte de cada um.
Momentos de os sentir voar
vivos um por um.

Sentir dos dias que nascem
as noites que começam
a luz que percorre os sonhos
dando cor
ao escuro
de sentir o tempo.

Voando nas nuvens que escapam
sempre
sonhando nas estrelas que brilham
sempre