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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Expanção Exaustão

Compressão.
Recolher na cabeça
as estrelas e o céu
comprimir noite e dia
os sonhos e a vida
que se soltam lentos
aos pedaços

Compressão

Nada parece inteiro
pensar pedras e areia
que recusam o espelhar da água
e no fundo ficam
quietas, pensadas, passadas

Compressão

As nuvens são vapor
que ninguém agarra
as palavras alinham-se
e fazem sentidos sem fadas
repletas de pontos finais
pesadas e sem asas

Compressão

Fechar os olhos e ainda ter
o azul das cores e luz
cintilar de caminhos e partilhas
não dormir os sonhos
são todos a preto e branco
e neles o silêncio foge

Compressão

Da imagem retirar os ângulos todos
uma só feita de milhões
de serem todos, a imagem e parte
da imagem num espelho
numa poça de água   invertida
sentida







domingo, 10 de janeiro de 2016

Expansão Compressão Exaustão

Depressão.
Li a trégua de Benedetti
adorei a forma simples de apresentar
morte e vida, decorrer do tempo
linear, cinzento mas faiscante
entendidos e desentendidos e o tempo passa
conforme os que passam.

Depressão.

Depois tudo se expandiu
num sonho de sentimentos
cor excessiva num intervalo curto
de um filme longo, branco e negro.

Depressão.

O conforme regressou, retornou
como se fosse natural

não é

estar vivo, sentir vida e regressar
ao estar sentado e o céu azul parece transportado
nas nuvens que o movem
no sol que a tudo dá cor e caminho.

Depressão.

As noites soltam palavras
fadas dos sonhos
dos encantos de ver, ou não ver
estrelas de haver sempre
até nos olhos fechados
de as querer.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Encontro



Procuro sons leves
quase inaudiveis
sensibilidades puras
estremecidas
como palpitar
como brisas caricias

Procuro no silêncio
que rompem
mansamente
cortinas que abrem
caminhos que roçam
sentidos que se movem
sempre certos

Procuro

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Válvula de exaustão

Águas calmas na cabeça
demasiado calmas dentro

agito como pedras ressaltando
as turvas águas calmas

todas se afundam fundas
de não as ver( mais) guardadas

durmo ecos agitados lentos
guardados e perdidos  lá  fundos

universo como linhas finas
que enrolo lentas e corto sem cor

infinito que desamarro passo
a passo de cada momento sem ele

entro no escuro de o querer mais escuro
sem cores para escolher  imagens para ver

fogachos ainda vivos teimam surgir
cintilantes como estrelas que não são

no escuro se oprime a luz de a cegar
nas visões dentro  novas  descansadas

no escuro se faz o silêncio de entender tudo
na ausência de tudo  tudo entende-se bem

no escuro de sentir dos passos as marcas
que não ficam nas palavras nas imagens

no escuro caminhar desligando mecanismos
de pensar, de sonhar, de ver e vivendo

no escuro que não dura nada se aguarda
tudo e tudo regressa do cansaço opressivo

no findar de mais um circulo  mais  um
dos muitos que rodam(na feira) do Circulo

depressão a depressão e o regresso
às cores desbotadas pelo tempo que passa

passatempo de olhar dos pés a cabeça
amarrada a eles de pertencer a eles

momentos de as saber lá  não as sentir  não as querer










sábado, 26 de dezembro de 2015

Plante carnivore - Lucie ESCARGUEIL - Vos poèmes - Poésie française - Tous les poèmes - Tous les poètes

Plante carnivore - Lucie ESCARGUEIL - Vos poèmes - Poésie française - Tous les poèmes - Tous les poètes

Agora, agora é agora.

Agora que o Natal se esgueirou
repleto das boas intenções
que o fazem e dele sobram.
Quase todas sobraram
quase todas.

Agora que o ano novo nos vai consumir,
numa alegria que ao rosto se cola,
os restos do ano velho
enquanto mantenho
o sorriso dentro.

Agora que o Natal se guardou
entretenho os dedos da cabeça
desfolhando os presentes datados
entre o que havia
e o que agora tenho.

Agora no aguardar das folhas todas
de um caderno ainda húmido
das cores que se fizeram borrões
guardo a ideia de pinturas
como chagas.

Agora que uma nova adenda escorre
e antes que se una ao livro veloz
escolho e recolho linhas, de as querer ainda
um pouco   mais   no presente
ou eternas.

Agora que procuro neste bamboleio desfocado
o equilíbrio do que senti passar
faço o balanço e nele deito a poeira
das estrelas, nas letras azuis, desfeitas
na vida, bênção que fica.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Do Sonho.......

No Sonho uma voz doce
orienta o percurso, magia que me toca
suave brisa que me afaga
enquanto percorro veredas novas
de serem as mesmas
com outros olhos
com outro sentir
dos passos
as marcas
e o tempo, sempre o tempo

as sombras e a magia de ouvir a lua
e andar perdido em cada encontro
em cada momento curto
de os sentir como ecos saboreados

viajar quieto no desenrolar de imagens
no voar sonhos e ventura de  pensar
de construir novidades e partilhar

andando sempre, ouvi silêncio num crescendo
que começou maravilhoso, melodioso
ocupando o vácuo negro, como cadeiras
ordeiramente, sem pressa num leve tilintar
que acentuava o fundo silencioso

.....depois cresceu como berros de os sentir
sem os ouvir, desorientado, aturdido parei

o céu fechou-se, o horizonte encerrou
e no pequeno aposento eu era o centro
e dos cantos todos e do tecto e do chão
brotavam vozes e nenhuma era
do Sonho o inicio, algumas pareciam mas não eram

nenhuma era
e o silêncio fugiu no encontro das estrelas
enquanto as vozes se erguiam
falando para tudo, ou para nada
longamente e não dizendo nada
do que faltava, do que faltava
e no centro se aninhava
no sonho, no sonho, no sonho
que se recusava acabar