Translate

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Encontro



Procuro sons leves
quase inaudiveis
sensibilidades puras
estremecidas
como palpitar
como brisas caricias

Procuro no silêncio
que rompem
mansamente
cortinas que abrem
caminhos que roçam
sentidos que se movem
sempre certos

Procuro

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Válvula de exaustão

Águas calmas na cabeça
demasiado calmas dentro

agito como pedras ressaltando
as turvas águas calmas

todas se afundam fundas
de não as ver( mais) guardadas

durmo ecos agitados lentos
guardados e perdidos  lá  fundos

universo como linhas finas
que enrolo lentas e corto sem cor

infinito que desamarro passo
a passo de cada momento sem ele

entro no escuro de o querer mais escuro
sem cores para escolher  imagens para ver

fogachos ainda vivos teimam surgir
cintilantes como estrelas que não são

no escuro se oprime a luz de a cegar
nas visões dentro  novas  descansadas

no escuro se faz o silêncio de entender tudo
na ausência de tudo  tudo entende-se bem

no escuro de sentir dos passos as marcas
que não ficam nas palavras nas imagens

no escuro caminhar desligando mecanismos
de pensar, de sonhar, de ver e vivendo

no escuro que não dura nada se aguarda
tudo e tudo regressa do cansaço opressivo

no findar de mais um circulo  mais  um
dos muitos que rodam(na feira) do Circulo

depressão a depressão e o regresso
às cores desbotadas pelo tempo que passa

passatempo de olhar dos pés a cabeça
amarrada a eles de pertencer a eles

momentos de as saber lá  não as sentir  não as querer










sábado, 26 de dezembro de 2015

Plante carnivore - Lucie ESCARGUEIL - Vos poèmes - Poésie française - Tous les poèmes - Tous les poètes

Plante carnivore - Lucie ESCARGUEIL - Vos poèmes - Poésie française - Tous les poèmes - Tous les poètes

Agora, agora é agora.

Agora que o Natal se esgueirou
repleto das boas intenções
que o fazem e dele sobram.
Quase todas sobraram
quase todas.

Agora que o ano novo nos vai consumir,
numa alegria que ao rosto se cola,
os restos do ano velho
enquanto mantenho
o sorriso dentro.

Agora que o Natal se guardou
entretenho os dedos da cabeça
desfolhando os presentes datados
entre o que havia
e o que agora tenho.

Agora no aguardar das folhas todas
de um caderno ainda húmido
das cores que se fizeram borrões
guardo a ideia de pinturas
como chagas.

Agora que uma nova adenda escorre
e antes que se una ao livro veloz
escolho e recolho linhas, de as querer ainda
um pouco   mais   no presente
ou eternas.

Agora que procuro neste bamboleio desfocado
o equilíbrio do que senti passar
faço o balanço e nele deito a poeira
das estrelas, nas letras azuis, desfeitas
na vida, bênção que fica.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Do Sonho.......

No Sonho uma voz doce
orienta o percurso, magia que me toca
suave brisa que me afaga
enquanto percorro veredas novas
de serem as mesmas
com outros olhos
com outro sentir
dos passos
as marcas
e o tempo, sempre o tempo

as sombras e a magia de ouvir a lua
e andar perdido em cada encontro
em cada momento curto
de os sentir como ecos saboreados

viajar quieto no desenrolar de imagens
no voar sonhos e ventura de  pensar
de construir novidades e partilhar

andando sempre, ouvi silêncio num crescendo
que começou maravilhoso, melodioso
ocupando o vácuo negro, como cadeiras
ordeiramente, sem pressa num leve tilintar
que acentuava o fundo silencioso

.....depois cresceu como berros de os sentir
sem os ouvir, desorientado, aturdido parei

o céu fechou-se, o horizonte encerrou
e no pequeno aposento eu era o centro
e dos cantos todos e do tecto e do chão
brotavam vozes e nenhuma era
do Sonho o inicio, algumas pareciam mas não eram

nenhuma era
e o silêncio fugiu no encontro das estrelas
enquanto as vozes se erguiam
falando para tudo, ou para nada
longamente e não dizendo nada
do que faltava, do que faltava
e no centro se aninhava
no sonho, no sonho, no sonho
que se recusava acabar






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Somos riachos correndo

O peso das palavras
nunca é preciso
o comprimento das palavras
nunca é medido

ouço toneladas de asneiras
e calar não é silêncio
ouço palavras leves como espiritos
que me calam silenciosas

vejo quilómetros de tolices
permanentes...... nos olhos fechados
de sentir brisas como afagos
de palavras curtas e caídas

de as sentir enrolando
infinitos que me fogem
leveza que me repele

Que somos? Pequenos riachos
correndo pedras, correndo areia e terra
das cores todas, todas do sonho delas
de as pertencer, de as pintar
dissolver

correr a largura de um pé
que se alonga
que se une em pequenas poças
que depois transbordam
levando gotas de todos os lados

das nuvens brancas
que desabaram negras
dos rios grandes e dos pequenos
dos riachos, dos oceanos
memórias em cada gota
do que a pintou, do que pertenceu, do que foi
correndo cascatas ao sol, na verdura que permite
na verdade de correr o tempo quieto

no sol que ergue e depois baixa
no enterrar que se faz poços
as palavras como figuras ocas, dos tamanhos todos
das formas todas
se vão enchendo das cores de momentos corridos.

Palavras de as conhecer, desconhecendo sempre
nas cores novas, leves, no prolongar delas
arrastadas, como borrões nem sempre belos

o mundo todo, guardado nas palavras todas
e depois o embrulho do presente
na vastidão do vazio, do silêncio.............................










terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O escurecer prolongado

Caminhar no escuro longamente
o tempo longo de habituar

é curto, o tempo
e deixa de tropeçar
o tempo

a cabeça funciona no escuro
o escuro funciona melhor
na cabeça escura
nas sombras de uma luz
de outra banda

Será que as ideias precisam da luz
para terem corpo?
As palavras unem-se no fundo
muito escuro
azul escuro sem estrelas.
Unem-se como se fossem todas iguais
e não são?
A pincelada certa e uniforme
une os extremos

e o túnel prossegue
afastando ideias da luz de entrar
prossegue noites
de as querer quietas, caladas
vazias e silenciosas

como castigo de tanto querer
recebe pingos, que no chão ressaltam
de altas fissuras que queimam do caminho
o escuro, que deixa de ser
espaço a  espaço de cegueira
no passo que se retarda tropeçado

entrar e sair do sonho
com luz, sem luz, sem sonho
neste engasgar da sede, na água
que pára escura quieta
esquecida de cintilar
esquecida









'