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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

11 PAPEL BRANCO



56
Repetem-se sucessivamente
os dias
e os sentimentos
dos dias
para que se usem as cores
todas
que nunca se esgotam.

Nesta lotaria da cor certa
do sentimento errado
em cada ajustar do momento
que nunca se repete
nunca acerta
e é sempre
o tentar sucessivo dos sentimentos
todos
que nunca acertam
nunca se completam
na nostalgia que se enrola
nas saudades
e se acaba na aprendizagem
de nunca saber
nada.

Aonde reside o limite do amor?
E do ódio?
Do choro e do riso, do que se aguenta
e do que também se aguenta?

O mistério do que é pequeno
e contudo move tudo
desloca-se na brancura de tudo ser sempre novo
mesmo quando se acaba
branco, branco
acabado.


domingo, 13 de dezembro de 2015

De 17 Tendências

11
Tudo é simples,
depois complica-se em cada sopro de vida,
em cada razão que ergue,
a razão que prevalece das razões todas,
como se um poço simples
de ter água no fundo,
se multiplicasse pelas sedes de tantos poços,
que não os havia,
mas agora há,
no tempo todo e no que não há.

Tudo é simples
e a razão e a verdade só complicam,
de um jogo,
a bola que nem sempre se defende,
da verdade que não é dela.

14 de Fevereiro,
dia dos namorados,
namoro a vida de ainda a ter,
na verdade de ter os meus e tudo é tão simples com eles,
que limpam constantes,
o vidro transparente e sem cor,
que eu sujo de cores e complicações.

Sentimentos que ultrapassam o que sou,
no riso de não ser,
o que sou deles e de tudo aos pedaços
que sujo e limpo de ser deles o funil que os sente
de os agarrar e a todos limpar e a todos sujar do que sou de pedaços,
deles e de todos,
aos pedaços,
no pedaço que sou,
de vida,
de vida e de morte.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Palavras, Palavras e de novo....

Tantas vezes
atordoado fiquei
e tantas vezes me calhou

olhar sem palavras

de as ter excessivas
e atropeladas pelos cantos
engasgadas pelos cantos
atordoadas pela beleza do entendido
expandidas pelo universo
de as ter como formigas pequenas
berrando silêncios de palavras por dizer.

Corri chuva e vento com Bernardo Soares
percorri estrelas com Campos
contei pedras e seres com Caeiro.

Silêncios repletos de palavras
caladas, entendidas como se existisse entendimento
sem elas
sentidas num respirar curto e ofegante
de um silêncio impossível
de haver sempre, ecos ressoando palavras
entre cada batida ofegada de um infinito
expandindo, expandindo palavras
como presentes eternos.

Tantas vezes as tentei
uma por uma

tentei de cada uma

o brilho, a luz, a cor
a igualdade que as permite diferentes
em cada conjunto de cores e silêncios
em cada conjunto que a luz esbate
que o sonho adormece pequeno silencioso
na luz que tomba dentro
pardacenta
bocejando cansaços pequenos.

Descer gotas ou subir gotas
neste erguer constante do Presente
que acumula areia deslizante
escorrendo tempo enxuto
de castelos desfazendo vento.

Desço gotas subo gotas
procurando ínfimos sorrisos
encontrando estrelas infinitas
no pequeno e no grande
que  não entendo
no grande e no pequeno
que por mim entendo.

Sento e aguardo...

domingo, 6 de dezembro de 2015

HOJE!

Hoje acordei no que tenho feito
de viver momento a momento
numa sucessão que pesa
longamente.

Estar calado para poder falar dentro
das pontes, travessias e silêncios.

Presentes que acumulo nesta vertigem
de um infinito que sobra
como vento que bloqueia brisas
como enxurradas que abafam gotas sentidas.

Passo a mão pelas sobrancelhas
do meu menino de estar lá, não sei aonde
e o sorriso que vejo, naquele esgar, é o que vejo
de o querer, sorriso de estar lá, sorrindo.

Hoje senti o cansaço de viver presentes
como folhas de um livro, que voam livres
soltando o que sinto, no vazio de terem voado livres
como se o peso, se fizesse meu, preso.

Palavras de um sonho de guardar calado
soam como ecos, do silêncio, de estar dentro    dele
do sino quieto, fervendo sons do infinito
que estouram, no eco de estar, dentro quieto.

Hoje tenho cores de hoje na luz de hoje.




















As nuvens dos castelos
ao vento desfeitos
de serem nuvens e só nuvens
de certeza

ainda assim

persistem no sonho
de o querer, com cores
todas e longas nuvens coloridas
silenciosas e com fadas
presentes
e sem fim.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

PESSOA de MUITOS feito, em Palavras se desfez, na alma de quem o lê se refaz eterno.


No meu primeiro livro de 1986 e publicado em 2013, 
há como sempre haverá em tudo que escrevo, textos sobre, 
à volta de, em redor de Pessoa. 


JORGE BRAGA
Nasci a 29 de Setembro de 1958
Aos dezasseis anos sonhei que
poderia escrever bem. Rasguei o
que ia fazendo até 1986. São desse
ano os primeiros textos deste livro.

Foi assim que me apresentei e no dia de 
hoje os partilho, quase infantis na distância, 
estes dois textos com " Álvaro de Campos"
na cabeça.



9
Um pouco desse calor de consciente vivo
desse sol que me treme
e eu sentia mais o que já sinto
seria mais consciente do que vivo
nesta inconsciência que me vive.

Sou pedaços que uma mão acaso
de muitos tentou fazer um.

Em mim não há estrada
e Sintra é uma pena que sinto e não tenho
em mim há vida e há restos que faltam.

Sem Chevrolet passeio emprestado
ao que me rodeia por estradas de ninguém
passar é ser sonho que pisa chão
procura que do encontro foge
sonho sem sonho que se sonhe.

Umas vezes mole e outras duro
na mesma me desgasto no que não é meu.

Passa tempo nevoeiro
com marcos que confundem
viagens que não faço a vazios que desconheço.

Passa o que passa e eu passo
nem comboio nem ponte
ilusão passageira.





11
De ti fiz um monolítico monumento
a uma divindade que não foste
a uma divindade que desconheço.

És profeta de verdades que não alcanço
és questão de respostas que o infinito me perde.

A teu lado serei sempre fraco mas aguento
a tua mensagem não me encontra
porque perdido a procuro.
Em teu redor ando em teu redor vivo
nada me impedes, nada me roubas, nada me dás
e tudo me vais dando, impedindo e roubando
em pequenas escuridões que se fazem luz e logo se apagam
em momentos que nunca serão meus e logo acabam.

Em teu redor ando e nada pára à nossa volta
num tempo que só teu é me perco
enquanto passa o tempo de ser eu.

Vivo e canso-me e cansado vivo descansado
sem pressa te olho sem pressa me olho
nos segredos que em ti cavo um pouco me decifro, um pouco
sempre um pouco, sempre um pouco me decifro e me perco.

Em teu redor ando e o mundo nos rodeia
e há universo e há infinito
e há deus que não creio e fé que me foge
há céu azul e longos cantos de alegre tristeza
castelos virgens que o sonho não sonha
há pedaços que tudo fazem e eu no meio
perdido ou desencontrado, procurando ou vivendo.

De ti não quero respostas
a questões que são só minhas e desconheço.
De ti a diferença me basta a igualdade me inibe
tiveste caminhos mas são teus
não dás boleias, nem a ti me desejo agarrar.

O que tenho não tem o que tiveste
e a tua luta de espelhos vazios foi só tua
em ti se partiram e os cacos são só teus
só tu os sentias só tu os vivias
o meu fervor por ti é falso
o que sinto é através de mim que o sinto
é falso mas é único, és único.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Luz espelho da imagem.

Vi ontem uma bela imagem
repleta de cor que os meus olhos espelharam
repleta de infinito, no que cresce, no que diminui
no que vi e os meus sentidos espalharam.

Revivi a pequena lata de fermento
e a noção de infinito, na imagem que diminuía, diminuía
dentro da cabeça que entendia vagamente
a imagem pintada na lata de metal
que fazia crescer os bolos, fofos gulosos.

Da expansão infinita ainda me falta a luz
de a poder sentir, nas cores de um silêncio eterno.
Faço parte de uma corrente desmesurável
no espaço e no tempo, compartimento de vivos
e de mortos, mensurável no espaço ou no tempo?
como folhas acumuladas, como volumes amontoados?

Pedras que o tempo desfaz, formas que no tempo se criam
os dias são feitos de cores sempre novas
e as palavras renovam-se, multiplicam-se na magia do silêncio

único companheiro do infinito, silêncio da corrente que desenrola

limite das cores e das palavras, dos sons de ainda, não terem eco

de serem de um caminho, a promessa sempre à frente
de quem caminha esgotando sentidos, em cada palavra nova
em cada cor, em cada silêncio redescoberto
na paisagem de todos os dias haver um Presente
uma linha do Horizonte e um Prosseguir
que se une ao Infinito, desconhecido caminhante
de andar sempre Atrás e à Frente.

Palavras maravilhosas, esgotadas de sonhos sem elas
pequenas fadas que abrem janelas, descerram cortinas
e riem da luz que as faz invisíveis, unindo-as às palavras e às cores
no silêncio das asas silenciosas.







sábado, 21 de novembro de 2015

Fadas em cada flor----Duendes em cada pedra tropeçada...

Fadas duendes
escondidos na terra
irrompem
como flores do ouro de Outonos
folhados,caidos

expirar, inspirar e olhar e ver cores
ou flores ou fadas...flores
que nada pedem.

Existem fadas como flores ou flores como fadas
surgindo do silêncio da terra
às cores
dispersas,
escondidas ou descobertas
em cada olhar de um sonho
sem nome, sem fim, acordado

de acordo, sonhado, dormido.

No silêncio de pensar, procuro no sentido do Infinito
a palavra paz
que encaixe perfeita
nas caixas de "ideias" que abundam
nesta poeira do Universo....

Seixos que no riacho correm transparentes
no arredondar das formas
erodidas e as cores...
e os sonhos que não flutuam
nem voam
ou voam ...na transparência azulada
que espelha por vezes .....
Imagens, imagens ou sonhos que nelas se transportam,
e nelas se espalham
breves de simples e belos,
longos de aprendidos e fortalecidos.

....e não encontro, nem respeito nem vontades
nem amor como luz dos recantos todos.
Amarelos, vermelhos de vida, verde e azul
de o abraçar,
partilhando silêncios de haver respostas
para tantas perguntas escusadas
no coração guardadas.