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segunda-feira, 16 de março de 2015

7 ELEMENTOS DO ESPÍRITO.


5
Tudo é possível do melhor
para o pior.

Do mais pequeno ao maior.

Tudo se situa no seu ponto
o de milhões de escolhas iguais
que nunca o são,
mas passam a ser
no amontoado cinzento
que torna tudo igual
e nos permite existir
e ter vida
alheados do que somos.

Joguetes somos
e nos deixamos ser
dos elementos pequeninos
que nunca equilibram
mas adormecem
o sentir que neles se banha
e não se afoga
de tanto deles beber
não sabendo que o faz.

Maravilhosa possibilidade de sermos
sem o sabermos.


segunda-feira, 2 de março de 2015

8 PRECURSOS DOS PERCURSOS:


46
Dizer que a verdade não existe
é reduzir tudo a nada
é negar o que há
de verdade em todos os cantos
pequenos e insignificantes
mas verdadeiros
na dimensão que podem.

A verdade é um percurso
que todos podem
na dimensão que podem.

Somos tão distintos, nos jeitos,
nas cores e feitios
que nada poderá ser de todos
igual para todos
além de uma verdade vasta
que todos agarram
no que podem, no que conseguem
e acabam quando se acabam.

Esmago os seres todos
todos
e com eles os anseios, o riso e o choro
o pequeno e o grande, o perdido e o achado
e de todos obtenho a mesma luz

Verdade
como se fosse a luz branca
que de tantas cores é formada
Vida. 



8 PRECURSOS DOS PERCURSOS.


51
Pouco se capta
quase nada se apanha
pouco
muito pouco se agarra
do que surge
para que possa ficar sempre
a sensação
do que não foi pensado
do que não ocorreu
e agora berra mudo
os berros vivos que não deu.

Hiatos de sentimentos
metas que sobram de nunca serem transpostas
buracos que ficam no que parecia resguardado.

Nada se guarda do que passa
tudo é válido porque tudo acaba
e o caminho é caminhar
enquanto dura o caminho.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

TER E SENTIR SOMENTE.


Poeta é o que tem fé
mesmo que seja diferente
de a não ter
de a ter mais forte
de a ter somente.

Poeta é de causas
e sem causas o efeito
de cada brisa de cada humor
o sentir diferente
a dor que fica igual
de a sentir em tudo
o que é de todos e de nada
o sentir somente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Continua.


CONTINUA

Intervalo de conciliar as diferenças
o ser e o não ser,
o que vale e o que não vale,
neste tempo de marcações continuas,
descontos e prolongamentos do

e do,
esse mesmo,

sempre diferente no jogo de ser igual,
de ser sempre diferente,
emparelhado,
assemelhado.

Mata-se numa escala de ser,
mais ou menos extremista,
mata-se na recusa de dar,
de permitir vida.

Mata-se por matar
a razão e a falta dela.

Simples, simples e tão simples este relacionamento de acasos,
estas linhas de nascer e morrer,
este compartimento de ter existido,
vazio e de novo vazio,
de ter sido tudo
vazio e diferente sempre.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

AS DIFERENÇAS QUE FAZEM MUNDOS.

Anos que passam de avanços e retrocessos,
caminho tropeçado pelo interesse,
pelo poder vão que acaba sempre,
breve mas tão longo no presente de cada vitima.

Li o comentário de Gustavo Santos e não o comento, ouvi a tirada humorística do Bruno Nogueira e gostei do incisivo acento na liberdade de expressão, gostei da metáfora da mini saia e avancei para muitos, que ouvi, que li, pensando sempre nesta abençoada democracia, nesta utopia de liberdade, fraternidade e igualdade, que permite comentar, sentir, que permite pensar de tantas formas, de tantas cores, o mesmo vermelho sangue derramado.

Quantos passos neste caminho de tentar e falhar e de novo tentar. Tanta religião tentada, tanta filosofia pensada neste caminho torto, dos direitos, dos deveres, das igualdades, das diferenças, da vida e da morte.

Pela liberdade de expressão, pela fé de a ter e de não a ter, quantos foram decapitados, enforcados, guilhotinados, queimados, fuzilados, garrotados, quantos acabados?

A herança deste Ocidente, funde-se no ocaso de milhões, no acaso de tentar, tentar sempre os passos novos, os pensamentos novos de o serem sempre, no avançar, no retroceder, no viver e morrer nesta
ilusão, de ser livre e valer a pena.
Dos comentários que ouvi, dos que li, todos sem excepção, eram blasfémias para o lado que não as tolera, alguns asneiravam para os dois lados. Vida que se acolhe nos recantos, cantos de haver motivos, cantos de haver sons, que se cortam sem motivo.

Moderados e obedientes, a regras escritas e ouvidas desde sempre, leis que misturam o sagrado e o profano e descriminam e são parciais e são justiça de poucos e de Alá, para os muitos que nele acreditam,
para os que acreditam noutros,
para os que simplesmente não acreditam.
Viver e aceitar as diferenças que se fazem mundos, é atravessar valas e aceitar da travessia, os dois lados, imperfeitos sempre. Não é a encher valas, de cadáveres sempre culpados de terem vivido, que se ganham razões, perdidas em cada violência, em cada discriminação, em cada morte de qualquer lado.
A Utopica Democracia lima arestas nas arestas que logo voltam, tenta o melhor e falha
e de novo o tenta e de novo falha
mas tenta o sonho impossível das igualdades.................................................................

CONTINUA

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis Charlie.


Nefasta e maldita
mas
extremamente simples
a visão monocular
a consciência egocêntrica
destas esponjas vazias
que o acaso apanha e depois enche
com o que calha
do que calha
de vazio que enche.

As palavras parecem faltar na hora de as querer todas, as mais simples, as mais livres.