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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Continua.


CONTINUA

Intervalo de conciliar as diferenças
o ser e o não ser,
o que vale e o que não vale,
neste tempo de marcações continuas,
descontos e prolongamentos do

e do,
esse mesmo,

sempre diferente no jogo de ser igual,
de ser sempre diferente,
emparelhado,
assemelhado.

Mata-se numa escala de ser,
mais ou menos extremista,
mata-se na recusa de dar,
de permitir vida.

Mata-se por matar
a razão e a falta dela.

Simples, simples e tão simples este relacionamento de acasos,
estas linhas de nascer e morrer,
este compartimento de ter existido,
vazio e de novo vazio,
de ter sido tudo
vazio e diferente sempre.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

AS DIFERENÇAS QUE FAZEM MUNDOS.

Anos que passam de avanços e retrocessos,
caminho tropeçado pelo interesse,
pelo poder vão que acaba sempre,
breve mas tão longo no presente de cada vitima.

Li o comentário de Gustavo Santos e não o comento, ouvi a tirada humorística do Bruno Nogueira e gostei do incisivo acento na liberdade de expressão, gostei da metáfora da mini saia e avancei para muitos, que ouvi, que li, pensando sempre nesta abençoada democracia, nesta utopia de liberdade, fraternidade e igualdade, que permite comentar, sentir, que permite pensar de tantas formas, de tantas cores, o mesmo vermelho sangue derramado.

Quantos passos neste caminho de tentar e falhar e de novo tentar. Tanta religião tentada, tanta filosofia pensada neste caminho torto, dos direitos, dos deveres, das igualdades, das diferenças, da vida e da morte.

Pela liberdade de expressão, pela fé de a ter e de não a ter, quantos foram decapitados, enforcados, guilhotinados, queimados, fuzilados, garrotados, quantos acabados?

A herança deste Ocidente, funde-se no ocaso de milhões, no acaso de tentar, tentar sempre os passos novos, os pensamentos novos de o serem sempre, no avançar, no retroceder, no viver e morrer nesta
ilusão, de ser livre e valer a pena.
Dos comentários que ouvi, dos que li, todos sem excepção, eram blasfémias para o lado que não as tolera, alguns asneiravam para os dois lados. Vida que se acolhe nos recantos, cantos de haver motivos, cantos de haver sons, que se cortam sem motivo.

Moderados e obedientes, a regras escritas e ouvidas desde sempre, leis que misturam o sagrado e o profano e descriminam e são parciais e são justiça de poucos e de Alá, para os muitos que nele acreditam,
para os que acreditam noutros,
para os que simplesmente não acreditam.
Viver e aceitar as diferenças que se fazem mundos, é atravessar valas e aceitar da travessia, os dois lados, imperfeitos sempre. Não é a encher valas, de cadáveres sempre culpados de terem vivido, que se ganham razões, perdidas em cada violência, em cada discriminação, em cada morte de qualquer lado.
A Utopica Democracia lima arestas nas arestas que logo voltam, tenta o melhor e falha
e de novo o tenta e de novo falha
mas tenta o sonho impossível das igualdades.................................................................

CONTINUA

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je suis Charlie.


Nefasta e maldita
mas
extremamente simples
a visão monocular
a consciência egocêntrica
destas esponjas vazias
que o acaso apanha e depois enche
com o que calha
do que calha
de vazio que enche.

As palavras parecem faltar na hora de as querer todas, as mais simples, as mais livres.                                            

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

8 PRECURSOS DOS PERCURSOS.

45
Dos impossíveis se vão fazendo
os possíveis.
Do intolerável se vai tolerando
o que acontece
para que o sossego de poder morrer
também permita viver
para que os anseios de hoje
e as estrelas que acabam longe
se possam no vazio,
buraco negro que tudo engole,
reverter no avesso das sensações
que se sentem hoje.

Para que amanhã nada se sinta
tenho de amanhã
o buraco negro de hoje.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O pé direito sonha ser esquerdo.

Releio momentos, palavras que os despertam, buzinas de um trafico quieto, quieto de ser curto, no espaço longo, de uma cabeça, de encerrar tudo como nada.
Buzinas como ecos dentro, de acordar, acordar vontades, perder ou adormecer momentos, que retornam diferentes, nas palavras iguais, que o tempo mudou, nas noções que mudam, desenroladas segundo a segundo.
Começar sempre com o pé direito, deitar fora o esquerdo, ou os passos perdidos pelo meio.
As palavras envelhecem nas sensações sempre novas, nas palavras sempre diferentes, consoantes do momento, melodias que soam bem e nada dizem.
Os encontros fazem-se desencontros e os desencontros encontram-se. Realidades perdidas em cada cabeça, sonhos e visões que se amontoam num jogo de perder sempre, para poder ser e perder sempre.

"Não há qualquer razão para que uma história seja como uma casa, com uma porta para entrar, janelas para ver a paisagem e uma chaminé para o fumo. Pode muito bem imaginar-se uma história com a forma de um elefante, de um campo de trigo, ou de uma chama soprada de um fósforo."

Moebius que morreu quando Giraud se foi, palavras de imagens como ecos de imagens com palavras, sonhos reais na forma que lhes foi dada, permanecem sonhos ou são reais no permanecerem?
O código de ser manda desaprender sempre, encher a garrafa de a ter vazia sempre e ter a forma dos espelhos todos, no partir de todos em cada momento.









domingo, 28 de dezembro de 2014

7 ELEMENTOS DO ESPIRITO.

36
A poeira do caminho
vai-se acumulando
camada por camada
dando peso ao caminho.

Poeiras diferentes
que se acumulam
como postais,
marcos de trajectos
que a vontade repete de os recordar
nas cores
de sentimentos desbotados
que parecem as mais vivas
de serem sempre do que já não há
a recordação que mais perdura.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A Verdade culpada.

Extremistas ou não extremistas, Humanos e.... Humanos aos milhares de milhões, repletos de razão em cada um, repletos de razões no pertencerem, no serem espaço, espaços e vazios de encher, de pertencer ao que calha e ao que vem.

Vem o Natal e o ano inteiro de boas intenções, nele se perde, nele se prende, amarrado às crenças e à descrença, às verdades pequenas. à Verdade de estar vivo.

Aceito a fé de cada um, de quem pode, de cada crente que se une a um deus e dele faz a sua imagem, amarrando linhas, arrumando sentidos.
Aceito o que para mim rejeito.
Do Universo que se expande, tento resguardar este recanto de vida e de morte.
Do Infinito, sou gota, de um oceano que cresce, sem fim.
Espelhos de não ver, as diferenças, que nos fazem iguais.
Os deuses crescem humanizados, por quem os sente na cabeça, ou no coração dos instintos, criticar ou apontar, a um ou a outro, defeitos de concepção é andar às voltas, de criadores a criados.
Tudo passa pelo universo entre as orelhas e para fora brota ou escorre como infernos, como paraísos, de quem os tem, na cabeça encerrados.

Milhões de anos luz, um tempo que só aqui se conta, como se não valesse nada, tão finito é, neste constante vindimar de vidas, nestes buracos negros por cada uma, em cada cabeça de viver ainda.

Em nome de... por vontade de...e o sangue corre louvando...lavando o poder que também corre, o dinheiro em nome de...o entender que se perde em cada degolado, crucificado, apedrejado, em cada criança culpada de estar viva.