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terça-feira, 28 de outubro de 2014

11 PAPEL BRANCO

9
A insatisfação permanente
é em regra geral
originada
pela insatisfação permanente
que permite errar
sempre da mesma maneira
como papel branco rabiscado
e amarfanhado
como se a culpa fosse do papel
e não dos rabiscos repetidos
num erro permanente
de uma insatisfação permanente.

Ao som dos segundos
no ritmo dos minutos
das horas desconcertadas
e por ai fora numa sinfónica amostra
do erro que se repete, repete
no acordar que o repete
repete
e depois já não é erro

nem se repete mais.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

10 LUÌS


13
As palavras rimam
o momento que as permite
fazem-se segundos consentidos
perdidos nos reencontrados
sucessivos
momentos
de uma azenha que roda
na água
de um tempo perdido
consentido e reencontrado
no constante desgaste
das pedras
que permitem tão fina
a farinha
de ter sido.







10 LUÌS.


7
Neutras e vazias
as palavras
aguardam
o tempero
de quem as come
e o tempo de o fazerem.
Preenchidas de momentos
sentidos
e contornos nem sempre definidos
no jogo de luzes
de tantas cavernas
que se abrigam na nossa
caverna escura.










sábado, 11 de outubro de 2014

Noções como referências.

Bem sei que sim
porque
bem sei que não.

Divagar
ou sem pressa
percorrer caminhos por fazer
atalhos de perder
o que se encontra sempre
devagar
ou depressa
entre passos que se alongam como caminhos de estar
de estarem sempre feitos
de ser, de parecer, de acontecer.

Mal sei que sim
porque
mal sei que não.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ISIS.


Rezo de cada instante
o sabor diferente de cada um.

O meu deus está no que vejo, no que sinto
no que vive e me rodeia.

Universo infinito de olhar dentro
cada cintilar, cada reflexo que foge
eterno
de um só instante diferente.
Diferente infinitamente.

Universo Infinito, tempo quieto
de só aqui se moverem
os instantes e o sentir deles
infinitos.
Infinitos perdidamente.

Crescer dentro as diferenças de ser igual
crescer dentro as igualdades de ser diferente.

Ninguém nasce igual, ninguém vive igual
as igualdades ficam ancoradas no vazio antes
no vazio depois.

Olhar dentro o encher de instantes
o repetir do que é mau, o que nunca se repete
mas parece.

Mas

só parece enraizar com mais força
repetindo reflexos, escuridões
trevas de mil anos que o tempo engole
indiferente
e tanto são de sofrimento, no passar de cada instante
de cada mil anos, segundo a segundo desfeitos
no sentir de cada um, no acabar de cada um
no recomeço de cada instante, de cada ser.

Um universo em cada cabeça
sempre diferente de ser sempre igual
de conter o mal todo e o bem todo
em cada uma.
O universo todo em cada uma
no curto espaço de ver o que há e o que não há
de sentir e viver
de sentir e morrer,

















sábado, 20 de setembro de 2014

Motivos.



Miudezas que permitem fé e são tantas e a falta delas e as voltas que não param de estontear, crentes e descrentes, todos iguais na distância certa, amorfos ou diferentes, certos na mesma lógica que os faz errados buracos de entreter em cada cabeça, em cada universo vazio.

Mutações de jekill e hide no espaço restrito, dos sonhos todos, das ilusões todas, dos pesadelos que se acumulam dentro, no vazio das lentes todas, das imagens todas, das lentes de as ter dentro,

A volúpia de um fecho constante, o fecho que se enrola em cada entender pouco, em cada devaneio de cada sonho que se prende, farto das vastidões de as não ter,

Motivos que se enrolam na fervura dos temperos todos, num jogo de nada e de tudo. Enrolados devaneios breves, acabados em cada sensação, breves e sempre diferentes, na igualdade que a todos une.

Cortam-se as distâncias e os extremos equidistantes na mesma se repelem. Ideias ideais que se afogam iguais, no tempo que a todos guarda e a todos larga, vazio de sensações, vazio de crenças e emoções, vazio para que nele caibam, os sonhos e os pesadelos todos, os extremos em cada cabeça que sonha e pensa.








terça-feira, 9 de setembro de 2014

MAL


19 anos e só mostra os olhos, suficientes para o pai que a reconhece e não se identifica, vergonha de nunca entender este vazio entre seres, estas verdades que se multiplicam e se unem como cores que borram o que tocam, peões, joguetes de um poder destrutivo, que busca razões na falta delas, que vive de morte, que se alimenta dela e adora ser Horror.
Olhos lindos o resto não interessa, a fé que permite saber o que vive e o que morre, cobre um rosto de dezanove anos, de sudários negros, que nunca serão tão negros como o caminho que escolheu.