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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

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No início houve um parto, vida que já havia, libertada ao tempo, aos retalhos de sentir e viver.
Os limites de sentir encerram-se no sentir de cada um. O mal e o bem unem-se em cada cabeça e dela brotam no sentir de cada uma, retalhos de esperança e desespero, amor e ódio, partem de recantos de vida, funda, dentro, escondida.
Biliões de correntes interrompidas, cortadas, retomadas como prisões de escolhas sem fim, caminhos que divergem dentro, para os cantos todos dentro. Bolhas como fé que estoura carnavais sempre certos, para quem os estoura.
Teimo a dúvida constante que me permite teimar constantemente, temo os certos, os sem falhas, os ideais que caminham nos extremos, que se tocam e se repelem.
Do primeiro vagido ao ultimo suspiro, cantam-se piadas, risos e choros e as correntes dentro batem fora, nos sentidos certos de cada um.
Caminhos tão diferentes, curtos ou longos, todos acabam.
Um novo degolado, um novo morto e este horror repetido de sentir verdade, de sentir fé no maldito executor.
Sentir os retalhos de cada jogo e nunca o entender.
A verdade da vida aos pedaços, desfeita como areia que o vento leva e o tempo come.










terça-feira, 26 de agosto de 2014

Desenrolar.

Linhas que se desenrolam
sentimentos que se cruzam
momentos que passam
e se enrolam, na rodilha do tempo.

Estou a reler o "Elogio da Loucura"
tentando o regresso à loucura da primeira vez
das primeiras linhas enrodilhadas
de serem  muitas.

Desenrolar linhas
de haver sempre uma
primeira vez
para cada uma

para tudo, os sentidos todos e a falta deles
aparente
no sentir de todos,
de tudo
de loucos, de razões
de juízo insano
este desenrolar de sensações.

Erasmo e More, juízo e utopia
ideias degoladas
ideais decapitados
em todo o lado, o tempo todo
o bom e o mau como marcos de sentir
da folha branca que se desenrola
o alongar de cada linha, de cada cruz
de cada acabar.



sábado, 23 de agosto de 2014

O mal e o bem.

O mal e o bem como pratos de uma balança entre as orelhas, o faiscar de mundos fechados e tão diferentes em cada piscar de vida, em cada faiscar de ideias, entre as orelhas, no piscar das luzes, negro e branco e o escorrer de cores sempre diferentes em cada faiscar na vastidão entre as orelhas.
O mal e o bem vagueiam, quase se unem no ondular do sentir, no mal de uns ser o bem de outros, em cada tiro entre as orelhas, em cada morte de iguais, em nome de nada ou em nome de ser diferente, cada um , cada ser, igual, igual de nunca o ser.
O mal e o bem em cada criança fervida, em cada degolado, o bem e o mal como âncoras enterradas fundas em cada barbaridade. Somos todos tão iguais, iguais demais nos que matam e nos que morrem, iguais no tempo que a todos consome, iguais, iguais em cada âncora arrastada, em cada corrente quebrada, em cada diferença que pensa e acaba.
O mal e o bem...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O DOBRAR DAS ESQUINAS.


Esquinas de escutar
sons de os ter na cabeça

bons e maus de os ter na cabeça

como realidade de não ter havido.
Linha a linha se acumula o infinito
o espaço vazio que o enche
e os sons que berram
o silêncio de ser.

Sinos que racham, o espaço redondo
o som perdido de ter soado
redondo e logo rachado.

Ruídos diferentes, sons e silêncio deformado
de não haver, de não o ver, de não ouvir
empacotado por espaços pequenos
diferentes
pequenos.

Soluços, hiatos, vogais perdidas
crenças na ponta dos dedos
e linhas, linhas e mais linhas
de entender e de sentir
de sentir e de entender.

O dobrar dos sons, o expandir de cada um
em cada regresso, de cada um
de cada som redondo
de cada esquina arredondada
dobrada
rachada.
















O vazio entre extremos faísca diferenças
pequenas
pormenores que se definem de os pensar
e depois crescem indiferentes.

Os sentimentos fazem-se redondos de os circundar
as linhas crescem redondas
como balões por furar.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Conflitos.

Mutações imperceptíveis, nuances
de nuances, noções de aprender e desaprender
valores que são, valores que não são
mas ficam espalhados e sem prestimo
por campos e campos sem razão
na terra de ninguém, na culpa de ninguém.

Campos sagrados de milho ou de areia
de sangue e destroços.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O dia todo.

Todos os dias, ao longo e durante o dia todo se fazem as palavras de as poder perder, o dia todo.
Simples registos que a cabeça arrasta, moldando e guardando os mais salientes, os que arranham, os que persistem no tempo e nas sensações, como marcos de olhar, de reler, de sentir o que muda e o que parece, nesta mudança constante, não mudar.
Registos simples que se complicam no tempo, como gotas caídas lentas, formando lagos lentos e opacos. A luz dentro permite sombras de as ver fora, marcas ténues, de sentimentos e sensações, de os erguer, de os perder, de os manter nesta ilusão feliz, de tantas cores novas alcançadas, em cada corsensação perdida.
A luz de dentro, a de apagar e de novo acender, a razão e os motivos que se afogam e logo se pescam de novo. Brilha limpa pelo tempo que a não fundiu ainda, brilha nas névoas velhas, no presente, no futuro, no criar e no desfazer de ilusões, sempre novas no erguer de cada uma, sempre iguais em cada diferença de cada uma. O que mais importa é um vazio fundo que se guarda silencioso, o que mais importa circunda os sonhos dentro e vive nos limites de dentro...............................................................
O que mais importa está sempre fora, nas linhas sempre rectas que se encurvam dentro.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

3 de Julho de 2009.

3 de Julho de 2014. O tempo passa de não pertencer a nada, fica encalhado, emprestado às ondas que o trazem e o levam. Aquários de os tentar, guardados de estarem sempre perdidos, no tempo, ao tempo, pequeno como areia dispersa, pedra desfeita que de novo se junta, ao tempo, com tempo...