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domingo, 5 de janeiro de 2014

Viva Eusebio.

Referências de uma vida, linhas que se acabam num silêncio que não apetece, tão melodiosos foram os sons, que não voltam.
Recordo como meus, para sempre, os três desconsolados e baixos lamentos do meu pai, recordo o crescendo vibrante que depois ouvi, a magia golo a golo num jogo de futebol.
Em 68 o meu pai morreu e do muito que dele recordo, este bocado é dos melhores, guardado e revisitado nestes anos todos, que agora se despedem da magia de um Homem simples, da magia que o fez grande e disponível e o desgastou e morreu.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A Igualdade da Diferença.

As gotas são todas iguais
para que nenhuma o seja.

O tempo, os modos, o escorrer
é tudo tão igual
para poder
ser
sempre diferente.

Espelhos de novidades
permanentes
reflexos sempre diferentes
no escorrer do tempo
no modo de ser
no gotejar de cada instante
como gotas sempre diferentes
em cada bocado... de gente.

Somos todos tão iguais
que as diferenças ressaltam
como fossas ou cumes de convivência
como gotas que se juntam
e depois separam
sempre iguais, sempre diferentes.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

16 Cristal


18

Viver um dia de cada vez

como se os dias fossem unidades estanques

aglutinando sentimentos

em cada pedaço, em cada dia

em cada devaneio, em cada peça

que se faz um dia, a seguir a outro

e antes do que se segue

numa construção, o mais linear possível

para que as peças se ergam

parecendo só uma

no tapar do sol

no alongar da sombra

de um dia e mais outro e logo a seguir

ainda outro

num recreio, de os haver

ainda.
 
 
 
As recordações são do que passa, os temperos todos, o proveito nem sempre doce mas guardado no recanto dele, no proveito de as sentir ainda, um dia de cada vez. O ter a cabeça repleta  de morte é viver ainda e não ter palavras que me permitam sentir o que sou, neste findar de ano, neste findar do ano em que morreu a minha mãe.
 
 

domingo, 29 de dezembro de 2013

15 MEDIDAS.



32
É a mexer nas coisas
que lhes sinto a forma
e o lugar delas
o que as liga
de estarem encerradas
no mesmo canto
no mesmo vazio
repleto
de malas velhas
que o tempo preservou
tão importantes
de o serem
para quem as guardou.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O tempo leva.

De Natal a Natal um ano passa e a cabeça confusa, mistura intenções que o ano nunca lava.
Publiquei dois livros este ano, mantive os pratos da balança oscilantes, alguns pararam, a minha mãe, o Toninho, a Aninhas e tantos outros que por mim rasparam, deixando um pouco deles comigo. Primaveras ditadas que não acabam, entre mortos e ditadores, crise de estar, crise de ser, crise no Mundo todo e Mandela morreu e Reed também e as ideias e os sons permanecem mutantes, agrilhoados aos inícios que mudam vastos, ao tempo, ao vento e ao que calha.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

14 Dependências



6
A cada porta que parece abrir

uma nova dependência
como um vicio novo
colado à pele dos pensamentos todos
como se ainda fizesse falta
mais um
para prender de uma forma que se repete
mas é nova
nos anseios velhos
o tempo todo
o tempo que se prende em cada frincha
de vida
e de morte
que só fecha para quem morre.

A cada porta que se abre.

Em cada porta um novo abismo
de escadas que sobem descendo sempre
no patamar de um tempo
dependente
patamar a patamar
como se a soma deles
libertasse deles
a prisão das escadas
que sobem sempre descendo
sempre

ou talvez se mantenham quietas

e só eu me mova no sentido de as perder
descendo delas em cada instante
a dependência que nas sensações
se enrola
como um vicio que dura
o tempo de estar vivo.

A cada porta que se abre
uma linha nova assinala novamente
o novo antes
e o novo depois
para que de uma linha se faça o que sai
e o que entra
e o que não regressa.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Negro Luminoso.

A 13 de Dezembro de 2013


Apresentei ou foi lançado pela Edita-me
ao tempo
o sentir acumulado no" Negro Luminoso".

Deixam de ser meus
estes momentos
acumulados
que marcam no livro da vida
parcelas de ter havido
marcadores entre páginas de gente
relidos e largados com vida
ao encontro dela
de quem possa sentir
e entender
se possível.

Na Biblioteca " Florbela Espanca" entre Poesia e gente conhecida, despedi, deixaram de ser meus, os
textos que cresceram página a página, formando juntos o marcador"Negro Luminoso".
A leitura pelo Dº José Custódio Almeida da Silva, do texto que elaborou e ao qual chamou "Apresentação" foi um momento mágico, uma analise profunda e sentida, que o autor e o pequeno livro lhe agradeceram.