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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

13 Pontos de Vista.



13
Se um dia tudo parece correr
e no outro só passa
no arrastar lento dos remos que repousam
como lemes de uma deriva só deles
ainda assim há rumos que ficam traçados
como pontos que se preenchem
de ponto a ponto
no sentido sempre certo
da necessidade e do esforço
e do tempo abençoado
de o haver ainda.

12 A B C.



38
O farelo do serrote
já não é madeira.

O afago suave de todos os dias
é do amor a manutenção
o preservar do que ainda há
e o tempo consolidou.

Nas âncoras da dor e do prazer
mais na primeira, muito mais
se amarram afectos
criam-se sentimentos duradouros
de chamuscados e enrijecidos.

O farelo do serrote
já não é madeira
mas foi.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

11 Papel Branco.



22
É nos patamares que me são permitidos
nos limites dos pulmões
e das pernas
que eu paro e a cabeça voa
na busca do que não há
para que haja
no pensamento que se desliga
o ligar de um caminho
que só de o pensar se concretiza
numa procura sem fim
que se satisfaz de o ser
no meio de tudo
na procura de nada
na procura só
de nada.

domingo, 1 de dezembro de 2013

As cores dispostas.

Hoje vejo pessoas
e as cores
como cubos de Rubyk
faces de uma só cor
e das cores todas
misturadas.

O sentido da cor dilui-se
alonga-se e encurta nas cores dispostas no tempo
no brilho que as perde
no brilho que recupera
a parte que se ganha, na parte que se perde
em cada cor, em cada olhar.

As cores mudam em cada olhar
de nunca serem as mesmas
dispostas em cada olhar
em cada rodar de um cubo multifacetado
de ter as cores todas
dispostas e indispostas
em cada olhar, em cada cegueira
de olhar sempre o lado
dentro
o lado fora
do espelho das coisas todas.

Rodam as cores de cada olhar
e são sempre certos
os momentos e as cores
que rodam sempre certos.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

10 Luís.


20
Esmiuçar dos cêntimos
as sensações.
Tentar dos tostões
os sentimentos
perdidos da unidade
esfrangalhada
perdida
e
incapaz da harmonia
de encher e vazar
como maré que enche e depois leva
no recreio do que é inteiro
e por isso, só por isso
é pleno e sem perguntas
é único nas questões que nunca
nunca
são colocadas.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

9 Analogias de tudo e de nada.


18
Tanto resmungar e tantas queixas
e não há nada que consiga ser o sonho
que de tudo todos tentam
mas nenhum consegue.

A única certeza
em todos pulsa
mesmo quando parece amargo
o sabor doce de estar vivo
e os dias se arrastam chorosos
numa noite escura, muito escura
e o ter sido um breve fogacho
pode parecer pouco
mas foi melhor que nada.

Foi.