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sábado, 9 de novembro de 2013

8 Precursos dos percursos.


51
Pouco se capta
quase nada se apanha
pouco
muito pouco se agarra
do que surge
para que possa ficar sempre
a sensação
do que não foi pensado
do que não ocorreu
e agora berra mudo
os berros vivos que não deu.

Hiatos de sentimentos
metas que sobram de nunca serem transpostas
buracos que ficam no que parecia resguardado.

Nada se guarda do que passa
tudo é válido porque tudo acaba
e o caminho é caminhar
enquanto dura o caminho.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

7 Elementos do Espirito.

25
Viver como quem caminha
numa linha recta,
que para ser consciente
logo fica repleta,
de desvios e atalhos
capuchinhos e lobos maus
estrelas e cadentes,
roubos e presentes
sonhos quentes
e pesadelos permanentes.

Calcadas as flores,
no funeral dos que ficam
alheios e alheados do que são
e do que fica
e mesmo assim……. permanecem
na linha recta que inconscientes
permitem
repleta de desvios e atalhos
que por eles sonham
a vida que vivem
e a morte
que por eles também vive.

Segundo a segundo
no compasso de cada um
no orgasmo retardado
de cada um.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

9 Analogias de tudo e de nada.

5
Já consigo nadar
debaixo de água
mais um pouco
e habituo-me,
para poder afogar
pouco a pouco
o que incomoda,
o que dói
o que passou
e o que desconheço.

Para que possam
pouco a pouco
ir embora.

Numa pressa,
prolongada,
sem pressa
no ajuntar de tudo
e depois adeus.

E de tudo se faz sempre
nada.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

14 Dependências

7
De cada miudeza esmiuçar
o que a fez
o que dela se uniu
transpondo tempo e vontades
dando-lhe a grandeza
de permanecer.

De cada dedo sentir a mão toda
de cada olhar as visões guardadas
para que as trevas se possam romper
na altura certa das certezas pequeninas
que juntas permitem o respirar
de valer a pena.

domingo, 3 de novembro de 2013

Antes do que vem depois.

O que morre não sente mais
deixa de sentir simplesmente.

O que fica é o que sente
o que enche constante
a cabeça do bom
e do mau que persiste
nos que ficam
agarrados por tão pouco
aos que deixam.

O que vive é o que morre...

Enredo de fios
finos
que se fazem cordas
grossas.

Teias que se fazem redes
de pescar sentidos, de os perder constantes
de os ter
para os poder perder
e de novo ter como horas que rolam marcas
como copos que vazam para encher
antes do estilhaçar
antes, sempre antes.
Antes sempre
do que vem depois
sempre.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lou Reed.



Acabou
as brasas incandescentes arrefecem agora
acabou e do negro de carvão
surgem pontas de tempo brilhante
uma brisa viva
ergue constante
finas poeiras
cinzas de um vulcão extinto
no que fez
pujante e belo
e agora permanece brilhante e vivo
no que desfez.


sábado, 26 de outubro de 2013

11 PAPEL BRANCO de 2010

3
O bolor do tempo
passa pelas casas
pelas gentes
e de um inicio esquecido
sobejam sempre as marcas
dedadas
de crianças e não só
que as camadas, camadas de tinta
nunca tapam, de estarem lá
na recusa
no aceitar
na firmeza que enfraquece
na grandeza que de tão pouco cresce
e uma nova camada de novo tapa
mas só cobre
não tapa
e cedo se cobre de novo
de borrões preciosos
de terem tido
a vida que os fêz.

As paredes desfazem-se
nas vidas que nelas se consomem
e há dias de tudo ter a importancia
de ser importante
e há outros
que nada parece importar
como tijolos colocados
para que outros neles assentem
dividindo a importancia da parede
pelas unidades cada vez menores
que a fazem
e nada valem fora dela
e tão pouco
parecem valer nela.

Será que são negros os pesadelos
ou esta brancura tão intensa
e vazia de a preencher
com a vontade
que nela se esvazia
não será somente
a brancura luminosa
que nos faz as sombras
e os pesadelos
de sermos
nela marcados e acabados
como sombras da brancura viva
que por instantes fomos
permitidos.