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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Faixas.

Ansiedade como gotas que empoçam
molhando
e não correndo.
Desejos encalhados de serem sonhos
ou de terem o peso de serem reais.

O que fazer quando sinto a razão
das razões todas
neste espaço de nenhuma razão?

Aguardo a perversão das ideias
todas
as que são boas e eu não sei, as más que eu suponho
e também não sei.

Aguardo juízo na faixa de Gaza
crianças vivas no teatro de as mostrar mortas.
Aguardo a vontade de erguer na vontade de deitar.
Aguardo o que é belo no fenecer
o abrir de cada flor no desfolhar de cada uma.
Aguardo sons neste silêncio que não pedi
e tanto quero quando não o tenho.
Aguardo pedaços e inteiros, interiores e exteriores
soluções que o tempo dissolve
num correr que empoça e depois corre
molhando e secando sem juízo
faixas e vidas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Abrir. O Fechar. O Repetir.

Repetir livros como segundos repetidos, portas fechadas de as poder abrir e nunca são iguais
as portas
nem o que delas se avista.
Abrir ainda repetir ainda, peças que se colocam como palavras de Lego,
mutantes unidades de um conjunto que todos podem erguer e funciona sempre, inspirado e expirado, no erguer e no desmanchar de cada palavra, de cada peça, de cada momento desfolhado.
Quadro negro de o preencher com o giz de o fazer mais negro e depois apagar e recomeçar
o inicio negro de o pintar branco.

Imagens cansadas de sonhos cansados, persistem horas a fio desfolhadas pelos momentos essenciais, quase perdidos neste persistente deformar de tudo, por nada, por baixo de nada.

Hoje tenho seguramente dois séculos, no hoje de manhã ainda só tinha cinquenta e quatro anos de os coleccionar, bizarros nos objectos e nas paixões de os ter nas mãos, como frémitos idos em cada selo em cada moeda em cada livro em cada noção, passageiros  que por mim passam nesta viagem de túneis que deformam e de Sol que deforma, sempre na forma do momento desfolhado em cada vida, em cada ideia ou pretensão dela.
As palavras
esculpem ideias ou cospem nelas
pintam doçura ou enegrecem tudo
aguardam respostas a perguntas nunca feitas
enquanto a resposta das perguntas todas
vive
nos que vivem
instantes
intervalos vazios de luzes acesas
representadas.








sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O sentido todo é estar vivo

......................

de Leonard Cohen " Hallelujah" ouvido repetidas vezes, noutras vozes que se elevam donas de um momento. De um amontoado de segundos se fazem segundos diferentes e a quem pertencem? Aos que cantam, aos que ouvem, ao silêncio de ouvir
incapaz do cantar que ondula as linhas direitas, que permite diferentes os que são iguais?
Piscinas de tempo ao sabor dos nadadores que nelas se afogam, no fundo, à superfície, afogam-se e logo se desafogam momentos, nadados no gozo, na oração e na ventura de segredos e de ritos, cantados e sentidos e verdadeiros de o serem sempre de momentos o sentir deles o momento deles, o sentir infinito deles.............

Ser

sendo
e os sentidos rumam todos
rompem
e remam todos
com destino
arrumados

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

? ?

Robert Enke e o irremediável, Luís e o que resta vegetativo e lindo de ser tanto ou talvez tudo neste curto sentir das imagens e do que vejo, neste curto alongar do que é curto, mesmo quando se alonga de ser curto e ser tudo.
As mãos guardam como certo o perder de todos os dias, alongam-se as certezas que se perdem curtas em cada passo dado, oferecido ao que ainda resta, de universos curtos, resumidos mas inteiros, em cada fecho de cada inicio, em cada volta de regresso ao regresso das voltas todas.
De cada ponte a vertigem de a saber sem fim, nunca é meu, de cada ponte, o fim que se atravessa no silêncio dos passos todos, indistintos de serem todos, silenciosos de serem o silencio de não haver silêncio.
Agulhas em cascata picam a palha toda e a cabeça esvazia sensações incapazes de a sentir.
Na palha que passa e nas cinzas que voam rebrilham por instantes agulhas de as ter sentido.
De as ter tentado.
De as ter tido.
De as ter.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Universos

O calar das vozes, o sossego entre, o sossego depois, o sossego durante de o poder ouvir instante a instante, os instantes que se alinham desiguais como colecções dispersas  pelas estantes dos momentos como rectas que ondulam as lombadas e as pancadas,
os momentos e os tempos e as vontades ondulantes
de um universo que cai
e se ergue
para que eu o possa fazer
também
enquanto as estrelas só para mim brilham
de parecerem o que sinto
de nem as ver
ou sentir.
Pequenos pontos que brilham as noções e o caos.
Arrastei letras no desejo de não as perder, arrastei Aa e arrastei Nn e Mm Ee  
possivelmente como ideias
de as não querer perder, perdidas que estão, arrastadas que são sempre, neste divagar constante que se apressa no vazar e se enche de nunca o fazer.
Pequenos pontos que brilham no fechar dos olhos.
Percutir teclas e enganos que se prolongam e se fecham como círculos, esferas de engolir, gotas de as beber uma por uma, nas cores, nos sentidos e noções, de um copo que as enche, do meio que vaza, do meio que enche.
Pequenos pontos que brilham nos espelhos
que naturalmente se partem num caos, de cacos e noções
varridos como pontos grandes partidos
em cada espelho de pequenos pontos
reflexo brilhante.
Universo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O riso de estar vivo

Rir como viver, variando as risadas e os sons que se prolongam de haver ecos como risadas prolongadas.
Respirar como viver
ar quente
ar frio e o condensar das ideias
prolongadas
todas.
Correr ou levantar, cair ou erguer, o comprimento dos saltos já nem deixa marcas, na que o vento varre, na que o mar lambe, num riso seco e logo molhado de areias.
Prolongadas sensações, apagadas e retomadas num quadro sempre negro, que as risca e as apaga, na esponja sempre húmida do que nela se apaga.
Rir sério, dentro, rir do ser e do querer com seriedade, rir do riso que imita o choro, rir do choro que imita o riso, rir inícios e os fins e os meios, os caminhos e as vontades, rir o tempo que tarda e o que se retarda, rir como respirar ou respirar para poder rir
o choro de cada segundo
e o riso de cada um
e o silêncio dentro
do riso.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Poesia

O pior é rir do que não pode ser ido e foi, rido, perdido no novelo das pontas e das penas dos que ficam, um pouco mais neste riso de permanecer, um pouco mais neste peso de recordar.
O que está limpo alguém o limpou, o que não está o fogo do tempo devora rindo e o gelo conserva os titanics todos, fora do seu tempo, acabando todos, numa conserva fora do tempo, de tudo e de todos.
Brotam da terra as palavras vazias de serem de todos, o encher de cada uma, brotam como gotas e rios que correm, de nunca serem iguais, as gotas e os rios que correm sem descanso para o mar, amor de nascer e correr.
Não compreendo o que vejo, o que leio, sinto, só sinto, entender seria ser o que não sou.
Pina foi mas Pina ficou e o silêncio e o vazio, por palavras, para sempre ficou preenchido.