O calar das vozes, o sossego entre, o sossego depois, o sossego durante de o poder ouvir instante a instante, os instantes que se alinham desiguais como colecções dispersas pelas estantes dos momentos como rectas que ondulam as lombadas e as pancadas,
os momentos e os tempos e as vontades ondulantes
de um universo que cai
e se ergue
para que eu o possa fazer
também
enquanto as estrelas só para mim brilham
de parecerem o que sinto
de nem as ver
ou sentir.
Pequenos pontos que brilham as noções e o caos.
Arrastei letras no desejo de não as perder, arrastei Aa e arrastei Nn e Mm Ee
possivelmente como ideias
de as não querer perder, perdidas que estão, arrastadas que são sempre, neste divagar constante que se apressa no vazar e se enche de nunca o fazer.
Pequenos pontos que brilham no fechar dos olhos.
Percutir teclas e enganos que se prolongam e se fecham como círculos, esferas de engolir, gotas de as beber uma por uma, nas cores, nos sentidos e noções, de um copo que as enche, do meio que vaza, do meio que enche.
Pequenos pontos que brilham nos espelhos
que naturalmente se partem num caos, de cacos e noções
varridos como pontos grandes partidos
em cada espelho de pequenos pontos
reflexo brilhante.
Universo.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
O riso de estar vivo
Rir como viver, variando as risadas e os sons que se prolongam de haver ecos como risadas prolongadas.
Respirar como viver
ar quente
ar frio e o condensar das ideias
prolongadas
todas.
Correr ou levantar, cair ou erguer, o comprimento dos saltos já nem deixa marcas, na que o vento varre, na que o mar lambe, num riso seco e logo molhado de areias.
Prolongadas sensações, apagadas e retomadas num quadro sempre negro, que as risca e as apaga, na esponja sempre húmida do que nela se apaga.
Rir sério, dentro, rir do ser e do querer com seriedade, rir do riso que imita o choro, rir do choro que imita o riso, rir inícios e os fins e os meios, os caminhos e as vontades, rir o tempo que tarda e o que se retarda, rir como respirar ou respirar para poder rir
o choro de cada segundo
e o riso de cada um
e o silêncio dentro
do riso.
Respirar como viver
ar quente
ar frio e o condensar das ideias
prolongadas
todas.
Correr ou levantar, cair ou erguer, o comprimento dos saltos já nem deixa marcas, na que o vento varre, na que o mar lambe, num riso seco e logo molhado de areias.
Prolongadas sensações, apagadas e retomadas num quadro sempre negro, que as risca e as apaga, na esponja sempre húmida do que nela se apaga.
Rir sério, dentro, rir do ser e do querer com seriedade, rir do riso que imita o choro, rir do choro que imita o riso, rir inícios e os fins e os meios, os caminhos e as vontades, rir o tempo que tarda e o que se retarda, rir como respirar ou respirar para poder rir
o choro de cada segundo
e o riso de cada um
e o silêncio dentro
do riso.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Poesia
O pior é rir do que não pode ser ido e foi, rido, perdido no novelo das pontas e das penas dos que ficam, um pouco mais neste riso de permanecer, um pouco mais neste peso de recordar.
O que está limpo alguém o limpou, o que não está o fogo do tempo devora rindo e o gelo conserva os titanics todos, fora do seu tempo, acabando todos, numa conserva fora do tempo, de tudo e de todos.
Brotam da terra as palavras vazias de serem de todos, o encher de cada uma, brotam como gotas e rios que correm, de nunca serem iguais, as gotas e os rios que correm sem descanso para o mar, amor de nascer e correr.
Não compreendo o que vejo, o que leio, sinto, só sinto, entender seria ser o que não sou.
Pina foi mas Pina ficou e o silêncio e o vazio, por palavras, para sempre ficou preenchido.
O que está limpo alguém o limpou, o que não está o fogo do tempo devora rindo e o gelo conserva os titanics todos, fora do seu tempo, acabando todos, numa conserva fora do tempo, de tudo e de todos.
Brotam da terra as palavras vazias de serem de todos, o encher de cada uma, brotam como gotas e rios que correm, de nunca serem iguais, as gotas e os rios que correm sem descanso para o mar, amor de nascer e correr.
Não compreendo o que vejo, o que leio, sinto, só sinto, entender seria ser o que não sou.
Pina foi mas Pina ficou e o silêncio e o vazio, por palavras, para sempre ficou preenchido.
sábado, 20 de outubro de 2012
19 de Outubro
Três anos de ter o Luís em casa, sobrevivente, connosco. Assinei o meu primeiro contrato de edição. A Chiado Editora vai publicar os meus primeiros livros, três num só. A crise de valores, lá fora, quase a esqueci, os meus valores em crise, cá dentro, quase os esqueci e depois o Pina morreu e tudo vai continuar.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Avarias vazias
Sentir sem pressa o vagar de momentos, sem pressa alongar deles, páginas e paginas de não entender.
O sentir dos momentos, o passar deles, o sentir dos sentimentos e o passar deles de não entender, sem pressa
.
Variam os dias e as noites parecem encerrar estrelas, que algumas vezes soltam, permitindo lonjuras que a cabeça parte, avarias que percorrem o mundo e os mundos.
O infinito circunscrito
a um espaço tão restrito, encerrado nas mãos, apoiado nelas, vazio de sentir cheio,
cheio de sentir o vazio,
o que rompe irrompe sem aviso.
As palavras esticam vontades e passam, elas e as vontades, numa peneira de estar vivo e passar tudo.
Parecem encravar, algumas vezes, de um aperto que engrossa o tempo e nele se retém, pasmam mas passam.
Dizer com as palavras de hoje, o que senti Ontem, ontem mas nunca amanhã.
O sentir dos momentos, o passar deles, o sentir dos sentimentos e o passar deles de não entender, sem pressa
.
Variam os dias e as noites parecem encerrar estrelas, que algumas vezes soltam, permitindo lonjuras que a cabeça parte, avarias que percorrem o mundo e os mundos.
O infinito circunscrito
a um espaço tão restrito, encerrado nas mãos, apoiado nelas, vazio de sentir cheio,
cheio de sentir o vazio,
o que rompe irrompe sem aviso.
As palavras esticam vontades e passam, elas e as vontades, numa peneira de estar vivo e passar tudo.
Parecem encravar, algumas vezes, de um aperto que engrossa o tempo e nele se retém, pasmam mas passam.
Dizer com as palavras de hoje, o que senti Ontem, ontem mas nunca amanhã.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
BRANCO
Respostas como patamares de perguntas, de degraus, de ainda subir, degrau a degrau, patamar a patamar, no infinito que me contém, no eterno de ser meu enquanto dura, neste gaguejar das palavras, perdidas sempre, na aventura de tentar explicar esta ventura de olhar zangado, ou bem disposto o mesmo Sol que nem sempre aquece os dias, ou arrefece as noites,
o tempo,
as presenças,
os segundos que voam e as diferenças que se quedam lentas.
O blog tem cor
em excesso
para este branco de hoje
o branco surge adentro e afora da cabeça que vaza sargaços enredados
o branco de estar em branco
o branco vazio de caber tudo
o branco silêncio que encerra
o branco em cada patamar
o branco em cada pausa esquecida
o branco das cores todas
todas
e da luz.
A cabeça sempre verde
das sementes que não semeei
rumina securas que secam
de verdade ou de mentira cada gota de vida.
Um colar de pedras brancas
reboladas pelos dedos
ganham as cores da ilusão
dos momentos
vagabundos sossegos
enredados, rebolados
semeados.
o tempo,
as presenças,
os segundos que voam e as diferenças que se quedam lentas.
O blog tem cor
em excesso
para este branco de hoje
o branco surge adentro e afora da cabeça que vaza sargaços enredados
o branco de estar em branco
o branco vazio de caber tudo
o branco silêncio que encerra
o branco em cada patamar
o branco em cada pausa esquecida
o branco das cores todas
todas
e da luz.
A cabeça sempre verde
das sementes que não semeei
rumina securas que secam
de verdade ou de mentira cada gota de vida.
Um colar de pedras brancas
reboladas pelos dedos
ganham as cores da ilusão
dos momentos
vagabundos sossegos
enredados, rebolados
semeados.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Passosdados
Agora que o Fado se vende bem e não é só Amalia, lá por fora ouve-se, cá dentro sente-se excessivo, neste vergar de costas, nestes factos consumados, todos os dias, de os querer limpos e não poder, tanta é a porcaria que se faz em nome de um Povo.
Ouço a mesma canção em tantas versões e todas parecem bonitas, todas parecem verdadeiras mas todas são canções, ilusões de cair e de novo erguer, para de novo poder cair.
A vida é tão curta quando é tentada direita e de cada queda se sente o esplendor, dela, da queda e da vida, no frémito de um erguer ainda.
O bem de todos , bem distribuído, é só, o de alguns.
Passos que são dados, remendos de um passado tão recente, consciente no esbanjar, consciente no agora aguentar. O discurso TSU é uma canção de ouvir e cair, Portas a bater e de novo erguer, ao som de uma nova canção, previsão e queda.
De que raça serão estes animais politicos, estes e os outros, passados e presentes e descartados de culpa sempre.
No fim é sempre a mesma lengalenga, quem parte e reparte e não escolhe para si a melhor parte ou é burro ou não tem arte.
Socrates governava, asneirava e como hoje não havia consenso, o bem comum de uma justiça sem varas e sem tino, o desgoverno da madrinha e do padrinho.
12 Aparências, banais, coincidências
Ouço a mesma canção em tantas versões e todas parecem bonitas, todas parecem verdadeiras mas todas são canções, ilusões de cair e de novo erguer, para de novo poder cair.
A vida é tão curta quando é tentada direita e de cada queda se sente o esplendor, dela, da queda e da vida, no frémito de um erguer ainda.
O bem de todos , bem distribuído, é só, o de alguns.
Passos que são dados, remendos de um passado tão recente, consciente no esbanjar, consciente no agora aguentar. O discurso TSU é uma canção de ouvir e cair, Portas a bater e de novo erguer, ao som de uma nova canção, previsão e queda.
De que raça serão estes animais politicos, estes e os outros, passados e presentes e descartados de culpa sempre.
No fim é sempre a mesma lengalenga, quem parte e reparte e não escolhe para si a melhor parte ou é burro ou não tem arte.
Socrates governava, asneirava e como hoje não havia consenso, o bem comum de uma justiça sem varas e sem tino, o desgoverno da madrinha e do padrinho.
12 Aparências, banais, coincidências
47
No Japão em turnos de cinquenta
Homens entregam as suas vidas a uma luta
para o bem de todos
que nunca será o deles
tão certa é a morte que os aguarda
e contudo aceitam na coragem de a conhecerem.
Aqui, por orgulho, não se cede uma virgula
ao que não cede uma letra ou um numero
porque o bem comum é só
o de alguns compadrios e favores por pagar
e desde os saudosistas de Estaline
que sonham com a democracia da Coreia do Norte
aos que defendem as ditaduras do Mundo Islâmico
um lago sem fundo de intenções afogadas
boas e más se afundam na vergonha
de não haver mais vergonha.
Unir esforços e a eles entregar o valor
dos valores todos, o sacrifício do que mais importa
numa dádiva sem retorno.
Unir os conflitos e arredar os interesses particulares
esquecer as devoções pelo ocidente, pelo oriente
e congregar esforços no que somos
pelo que somos
num sacrifício de todos, pelo bem de todos.
O remédio é só um mas todos retardam dos dedos
a garganta e a solução inevitável
de quem gastou e agora tem que pagar
de quem comeu e agora tem que vomitar
inevitavelmente.
Não entendo esta falta de entendimento
esta recusa de um consenso
quando há vidas que se entregam
e aqui
tudo parece ser um jogo de interesses
de dinheiro e prestigio
enquanto se berra
um patriotismo
pelo qual
nada
se quer sacrificar.
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