A crise e a pressão, o jogo de estar vivo, compressão ou depressão, num subir e descer inconsciente, sumiram-se todos, mais o dia que ainda passava, quando olhei a menina morta e as importâncias de tanto, reduzidas a nada, naquele rosto horrorosamente jovem.
Amiga do meu filho Vítor e de tantos, cumpriu cedo, o destino de quem nasce. No meu Luís, vivo, de a sentir, a dor dos pais que a perderam a dor de todos, que a viveram, que a conheceram.
Renata
um nome e uma morte
que se guarda, nos que a sobrevivem
velhos, de se sentirem tão velhos
no sereno rosto jovem
morto
da Renata.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Acontece
De vez em quando, acontece, por vezes, como se o tempo parasse, entre badaladas. Um risco, é o que parece, um só risco, num fundo uniforme, que parece o tempo todo, de o ser no momento. Acontece.
Acontece, no risco que se prolonga, no virar de página, no de vez em quando, acontece o que nem aconteceu e assim acontece, pleno de sensações por sentir, que se sentem, paralelas do real, que se assenta irreal.
Acontece, no risco que se prolonga, no virar de página, no de vez em quando, acontece o que nem aconteceu e assim acontece, pleno de sensações por sentir, que se sentem, paralelas do real, que se assenta irreal.
4 Circulos que se estreitam, vastidão que se encerrra
7
Há sempre cura
para quem se perde
na procura
e no que não encontra
se encontra
de caminhos que a tudo levam
e o levam
e no acabar de tudo
se acaba tudo.
Há sempre cura.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Somar de páginas
22 de janeiro de 2012, foi nessa data que recebi o quinto e até ao momento, último comentário, ao que apresento, ao que revelo, colocando por escrito, devaneios, delírios e depressões de haver chuva, de não haver chuva. Recebi, na altura, com orgulho, o comentário que me deixou satisfeito e agradecido a quem mo enviou.
Nada depois, uma óptima refeição e depois nada. Desta torneira que mantenho aberta e dos copos páginas que foram bebidos, nada sei dos acasos de sedes, breves ou longas, saciadas, por momentos, ou nunca.
Regresso a 86, um dos poucos textos, marcadamente Pessoanos, que sem vergonha deixei sobreviver.
Nada depois, uma óptima refeição e depois nada. Desta torneira que mantenho aberta e dos copos páginas que foram bebidos, nada sei dos acasos de sedes, breves ou longas, saciadas, por momentos, ou nunca.
Regresso a 86, um dos poucos textos, marcadamente Pessoanos, que sem vergonha deixei sobreviver.
9
Um pouco desse calor de consciente vivo
desse sol que me treme
e eu sentia mais o que já sinto
seria mais consciente do que vivo
nesta inconsciência que me vive.
Sou pedaços que uma mão acaso
de muitos tentou fazer um.
Em mim não há estrada
e Sintra é uma pena que sinto e não tenho
em mim há vida e há restos que faltam.
Sem Chevrolet passeio emprestado
ao que me rodeia por estradas de ninguém
passar é ser sonho que pisa chão
procura que do encontro foge
sonho sem sonho que se sonhe.
Umas vezes mole e outras duro
na mesma me desgasto no que não é meu.
Passa tempo nevoeiro
com marcos que confundem
viagens que não faço a vazios que desconheço.
Passa o que passa e eu passo
nem comboio nem ponte
ilusão passageira.
sábado, 24 de março de 2012
Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, Gonçalves Zarco
Fiquei a saber ao almoço e por via de um convite, do dia, que todos os dias, vivo ou sinto. Como poesia como quem pensa, penso poesia como quem come, digerindo cada segundo, no proveito, de a todos tentar sentir, velozes ou lentos. Poesia no caminhar ao lado dela e dos que já foram e dos que ainda são. Caminhar ao lado, do avô da minha Paula, no silêncio de lhe ouvir o assobio e a paz de um homem, que soube aceitar da vida, os bens todos, os essenciais, de olhos piscos, que a morte levou naturalmente, num leve assobio, de poesia, que é vida, breve, de ter tido, ter existido.
Po-Ètica, nem tenho a certeza da palavra, entendi do movimento, que pouco me diz, o fauvismo das palavras como cores primárias, num jogo de conotações, de ter palavras, de as ter sentido para as poder entregar a quem as queira sentir, penetrando nelas. Das imagens que, para mim, são o fundamento da Poesia escrita, um arredar, numa procura de não as ter como se o" Amor não ardesse mais, os albatrozes e os corvos tivessem deixado de voar e os chocolates, os marçanos" fossem obsoletos. Rembrandt pintava o branco diáfano, sobrepondo camadas de tinta, a brancura do papel chegou para outros. Mudar para renovar, não há grão de areia que seja igual, na inteira. A métrica e a rima, que encarceravam o voo, não impediram o erguer das estrelas, nada o impede. Tornear o pedestal ou permitir dele o áspero grito das palavras, é fazer sempre um só caminho, por vias diferentes, pensado e aceite, lá no alto, no fim do caminho de cada caminhante, amarrado por fios finos ao pó visível, que persegue, poético, patético e vivo.
Encho de palavras baldes e latas, que derramo, no senso que parecem ter, sempre, as palavras como rumos de descobrir o já descoberto, passadas que se apagam e se renovam, constantes, de estarem lá, no sitio delas, apagadas de permanecerem, descobertas, fundidas no tempo, de ser sempre o mesmo, em cada passada que se apaga, que se acaba passado.
Hoje sinto de Pollock, o derramar de tintas e o escorrer delas.
A procura que hoje sinto, entendo-a, no que amanhã esqueço. O abstracto de um Universo pleno de o sentir pelo vazio e o tempo de o sentir nas mãos, que o passam como desenhos que envelhecem, sempre no torno de burilar o imperfeito, que morre e vive cada instante, de serem sempre, últimos, os instantes.
Tudo parece derramar o que há, o que sempre houve, na solução de estar vivo, no derramar dela, no atar e desatar de um tempo, de o ter, de o entreter, balanceado para que se faça do não cair, o equilíbrio do pião que ainda gira.
6 MOMENTOS
Po-Ètica, nem tenho a certeza da palavra, entendi do movimento, que pouco me diz, o fauvismo das palavras como cores primárias, num jogo de conotações, de ter palavras, de as ter sentido para as poder entregar a quem as queira sentir, penetrando nelas. Das imagens que, para mim, são o fundamento da Poesia escrita, um arredar, numa procura de não as ter como se o" Amor não ardesse mais, os albatrozes e os corvos tivessem deixado de voar e os chocolates, os marçanos" fossem obsoletos. Rembrandt pintava o branco diáfano, sobrepondo camadas de tinta, a brancura do papel chegou para outros. Mudar para renovar, não há grão de areia que seja igual, na inteira. A métrica e a rima, que encarceravam o voo, não impediram o erguer das estrelas, nada o impede. Tornear o pedestal ou permitir dele o áspero grito das palavras, é fazer sempre um só caminho, por vias diferentes, pensado e aceite, lá no alto, no fim do caminho de cada caminhante, amarrado por fios finos ao pó visível, que persegue, poético, patético e vivo.
Encho de palavras baldes e latas, que derramo, no senso que parecem ter, sempre, as palavras como rumos de descobrir o já descoberto, passadas que se apagam e se renovam, constantes, de estarem lá, no sitio delas, apagadas de permanecerem, descobertas, fundidas no tempo, de ser sempre o mesmo, em cada passada que se apaga, que se acaba passado.
Hoje sinto de Pollock, o derramar de tintas e o escorrer delas.
A procura que hoje sinto, entendo-a, no que amanhã esqueço. O abstracto de um Universo pleno de o sentir pelo vazio e o tempo de o sentir nas mãos, que o passam como desenhos que envelhecem, sempre no torno de burilar o imperfeito, que morre e vive cada instante, de serem sempre, últimos, os instantes.
Tudo parece derramar o que há, o que sempre houve, na solução de estar vivo, no derramar dela, no atar e desatar de um tempo, de o ter, de o entreter, balanceado para que se faça do não cair, o equilíbrio do pião que ainda gira.
6 MOMENTOS
18
Poder do que sinto
distanciar o que penso
distanciar o objecto
das sensações que consome
ter uma visão do Universo
do outro lado
distante e alheia
num entendimento
de não fazer parte
na compreensão
de entender sem o querer.
Sou da cama
o que também acorda
com noções e verdades
por momentos
curtos
depois levanto-me
e o Mundo é belo
mesmo quando não parece
e embargados sinto os sentimentos
todos
por momentos
longos
na opressão de um choro
interior e constante
enquanto o Mundo é belo
e único
e a vida é só uma
e única
neste lado do Universo.
domingo, 18 de março de 2012
Unidade fragmentada
Fragmenta-se a unidade na procura dos defeitos e qualidades, que a dividem de a compor una, de só ser de pedacinhos minúsculos, a media, a cor de unir as cores todas, num respirar suave inconsciente.
Os valores pequenos, aparentes, parecem crescer e transbordam, dos limites que aparentavam ser e assim se muda tudo, para que tudo possa permanecer, no mesmo local partido, em fragmentos de tempo, de sentimentos, de pensamentos que se encontram e se perdem, em cada fotografia amarelecida, num álbum desfolhado sem cuidado, num sentido de acasos, todos encontrados em cada fotografia caída, em cada lapso, que no fim se encontra, todo, no fim.
Variações e fuga da mesma unidade, que permanece no sorriso todo, de o sentir, mesmo que o não tenha. Resguardado fica sempre o sorriso de tudo todo, em cada fragmento, em cada sentir desenrolado numa linha continua, de não ter quebrado ainda.
14 DEPENDÊNCIAS
Os valores pequenos, aparentes, parecem crescer e transbordam, dos limites que aparentavam ser e assim se muda tudo, para que tudo possa permanecer, no mesmo local partido, em fragmentos de tempo, de sentimentos, de pensamentos que se encontram e se perdem, em cada fotografia amarelecida, num álbum desfolhado sem cuidado, num sentido de acasos, todos encontrados em cada fotografia caída, em cada lapso, que no fim se encontra, todo, no fim.
Variações e fuga da mesma unidade, que permanece no sorriso todo, de o sentir, mesmo que o não tenha. Resguardado fica sempre o sorriso de tudo todo, em cada fragmento, em cada sentir desenrolado numa linha continua, de não ter quebrado ainda.
14 DEPENDÊNCIAS
2
A disposição que se diz boa
ou má
é como um fio
que a tudo se prende
e quebra
tantas vezes
no reatar dos míseros impulsos
nos sons e na falta deles
que constantes
num vício que se prolonga
dependente
oscilam entre o bom e o mau
sempre dispostos
à disposição do momento
que dos mesmos fios permite os nós
mais inconstantes
e o amarrar do que nunca se prende
num recreio de haver sempre
a razão
de não a ter
sempre.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Domingo a Domingo
Segundo a segundo e a pressa e o que não interessa e as pausas de os dias serem todos dias, tempo e passagens como pontes que desabam, atràs, sempre no caminho escolhido, de o haver em cada esquina e tempo, longo e tudo, neste curto espaço de nada, que vale por tudo, em cada riso desabado de não valer nada.
17 TENDÊNCIAS
Monto e desmonto a depressão
como quem monta lego
e depois o desmonta
e o guarda na caixa
guardado mas sempre à mão.
Ocupo da cabeça os dedos
mexendo e remexendo devagar
importâncias irrelevantes,
que ganham importância
por serem tocadas
e largadas e retomadas
em jogos de querer não pensar
não querer ver e de olhos fechados
descobrir as ânsias, o ver e as visões
guardados sempre à mão
no montar e desmontar do Universo
que gira no meu centro
de o ter, de o ter sempre descentrado.
17 TENDÊNCIAS
Monto e desmonto a depressão
como quem monta lego
e depois o desmonta
e o guarda na caixa
guardado mas sempre à mão.
Ocupo da cabeça os dedos
mexendo e remexendo devagar
importâncias irrelevantes,
que ganham importância
por serem tocadas
e largadas e retomadas
em jogos de querer não pensar
não querer ver e de olhos fechados
descobrir as ânsias, o ver e as visões
guardados sempre à mão
no montar e desmontar do Universo
que gira no meu centro
de o ter, de o ter sempre descentrado.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Momentos vazios
Momentos de não apetecer nada, tudo parece vazio, de tudo parecer branco, no reler, no recordar, no viver e não o sentir.
Escrever como compartimentos de ideias, de sentimentos, de emoções, para poder olhar deles, as diferenças do tempo, em cada semelhança que parece prolongar vozes e ilusões, luz e faíscas, de ideias sempre incompletas, em cada aposento, de ter sido escrito.
Paginas brancas de momentos vazios, permanecem como rastos que o vento logo apaga, entre estrelas e Universo, entre matéria e o vazio que a contém.
6 Momentos
Escrever como compartimentos de ideias, de sentimentos, de emoções, para poder olhar deles, as diferenças do tempo, em cada semelhança que parece prolongar vozes e ilusões, luz e faíscas, de ideias sempre incompletas, em cada aposento, de ter sido escrito.
Paginas brancas de momentos vazios, permanecem como rastos que o vento logo apaga, entre estrelas e Universo, entre matéria e o vazio que a contém.
6 Momentos
3
Rio num silêncio respeitoso
da simplicidade de tudo.
A explicação que a nada leva
torna mais importante a noção da maçã
que o sabor dela
derrete as sensações, deixa pensamentos
e ilusões
que se espalham como vírus
pelos momentos todos.
A frescura da relva
já não aquece os pés descalços
e o ar puro da manhã
já parece usado
por camiões de sentimentos perdidos
por momentos respirados e acabados
no acabar de ainda aqui estar
persistente e iludido.
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