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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

5 Negro Luminoso

4
Meu anjo de asas queimadas
querias voar
mas eu nunca tive
o que te faltou de asas e sossego
que eu nunca tive.

O que te faltou
diz-me baixinho para que todos o ouçam
no teu silêncio.

O sossego que agora tens
envergonhado anseio roubar-to
na culpa de não te ter dado
na culpa de te querer dar
o egoísmo de me fazeres falta
a mim a mim
sim a mim.

O que te faltou
diz-me baixinho para que todos o ouçam
no teu silêncio.

A falta de ti que me magoa
mais o pesadelo que me deste
e eu nunca poderei esquecer
mesmo que do teu descanso
te consiga roubar
mesmo que contigo me possa aninhar
para que me digas baixinho
o que te faltou no teu silencio
que agora estoura
na minha cabeça vazia de estar viva
e nem o sabe.

Diz-me baixinho, o que te faltou
para que eu possa do que me falta
sentir o que te faltou
e baixinho, baixinho quero guardar.

5 Negro Luminoso


I want with the difficult of the moment
so recent and with so much pain
I want to tell the story of the most beautiful head
outside the smile of the champions
the sun to everybody
inside the illness of no reason
the darkness of the silly nightmares.
All the words of all the world and I don’t have one
a single one to explain so much pain.

We have in our brains, the universe
we have the dreams and all the darkness
and sometimes we have no mind to make the choice
between the dark raven and life itself
 
All the possibilities in my head
and all are made of, if maybe
and always never more
with no raven, no more talking
no more, never more
maybe my dearest child, but you know
I have your brother and your mother to love
and all the people, since the first day
they are always saying to me:
“You need to be brave, you need to be brave”.

I’m brave, in my weakness, I’m brave
I need to be alive to have my heart full of memories
and to cry the most beautiful Portuguese word
saudades.

NEGRO LUMINOSO

Mais um dia, de Sol e de Noite, miudezas correndo no ondular da disposição, falta um pedacinho de sal e logo é de mais, o sal que se sente, comido no tempo, pé a pé no equilibrar de cada segundo em cada prato que se come.
Antes, há séculos, parecia difícil, agora é impossível e contudo aguentar é um caminho miúdo, de ser enorme, de ser do que se pode, o que surge, o que acontece.
Dois anos e meio a contar faíscas como estrelas, a verificar juntas e miudezas, compressões e ritmos na melodia de estarem vivos, de estar vivo.
Dois anos e meio a escrever cansaços, que parecem nascidos a meu lado e me dão a mão para que se mantenha o equilíbrio de permanecer vivo.
Dois anos e meio e o “ Negro luminoso “, as sensações de ficar perdido, num ermo sem entendimento, de sentir, só sentir e nunca entender.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

5 Negro Luminoso

16
Hiatos
círculos que não se fecham
no tempo que por eles se fechou
pedaços que já não colam, partidas que se acabam
despedidas que findam.
Tudo é tão simples que dói de o ser
herméticos se fecham os momentos de cada um
para que no tempo, de todos, tudo se vá indo
no sentido de o ter
no fim, sempre no fim, de cada um
de cada ser.

5 Negro Luminoso

8
Aonde estão as flores que eu nem vi de serem tantas
e agora não vejo porque acabaram
e não me levaram
com elas ou sem elas
para o local das coisas certas
que aceitam
aceitam e aceitam
e se acabam para que haja um recomeço
com flores que ninguém viu de serem tantas
e agora não vejo porque acabaram
e não me levaram
com elas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

4 Circulos que se estreitam, vastidão que se encerra

9
Olho das estrelas a distância
que não alcanço
e penso
que para me sentir pequeno
me basta sentir parte
desta vasta colmeia
em que um acaso me depôs
num curto instante
que a ninguém pertence.

Não entendo do universo a vastidão
e do eterno me perco na ilusão.

Sinto-me num quarto escuro
de pé
num canto amarfanhado
e de mãos na cabeça
que não sinto que não pensa
perdida nas lonjuras
que não sente
vazia de noções que não entende.

Não entendo do universo a vastidão
e do eterno me perco na ilusão.

4 Circulos que se estreitam, vastidão que se encerra

31
Do universo extenso
do eterno apressado
sobram sempre as migalhas
que ninguém come
deste bolo
que nas mãos se desfaz
e não há pássaros que as comam
nem gente que aproveite
das pernas que tem
o caminho que nelas se encerra.

Corram o que podem
porque nem sempre  poderão
de cada corrida atingir a meta
do cansaço
e da luta de cada uma.
Que ao menos valha a pena
a meta do cansaço
de cada corrida.

Sinto hoje do universo
a retrete que me senta
erguendo o que sou
e nunca deixarei de ser
do eterno que não posso
e todos os dias eu sento
para que se repita
o que todos os dias se repete.