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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

R T P

Amanhã 3 de janeiro, vai ser transmitido na RTP 1, pelas 21 horas, o programa sobre o que eu escrevo e que o jornalista Alberto Serra idealizou com as imagens que Rui Castro recolheu.
Espero que esta demora tenha valido a pena. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

12 A B C

1
Tudo é excessivamente neutro
antes de ser nosso.

Parece que estrago o que toco
quando tento que se faça meu
o que toco.

Numa aprendizagem impossível
do que se ganha perdendo
tudo parece emprestado
a um longo jogo de lerpa
neutro até
no escorregar da sorte
que nos permite lerpar.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

11 Papel Branco

1
OLHO
longamente o vazio de uma folha
em branco
e lentamente nela sonho, os pesadelos
e os sonhos
possiveis que eu nem conheço.

A todos eu ponho
na brancura do papel
que não sujo, incapaz de o manchar
da brancura suja que por mim pensa
acumulando borrões
luzes e escuridões
QUE AOS SAPATOS
de um caminho de esquinas escusadas
e encontrões colados
se grudam por nadas e por tudo.














E tapas, etapas


O aguardar de respostas ou de vida
em cada resposta que se faz pergunta
de haver sempre mais
em cada patamar das descobertas todas,
por momentos conseguidos e logo perdidos
em cada patamar de degraus encontrados
na pergunta de cada um
sempre a mesma pergunta
de
degrau
de haver estrelas ao alcance da mão
sempre
da ilusão e do fumo que se guarda na ponta dos dedos
esvaidos no fumo dos segundos
dos dedos e do voar de cada único.

O percorrer dos instantes como gotas que se unem
num copo sempre vazio.
Palavras que se acumulam quietas
de encherem a cabeça de sons,
de Brahms e de silencios
de variações e de fugas
palavras formadas
alheadas fornadas de um calor de forno
que aquece e arrefece
quieto
este calor de estar vivo.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

10 Luis

1
A fé que salva pessoas
mas consegue esquecer
outras
poderá ter muitos nomes
ou atributos
mas no fim
é só sorte momentânea
acaso
ou dinheiro que permitiu adiar
o fim,
que é o fim dos milagres
o esgotar do tempo,
o acabar certo
de um viver incerto
mas com fim marcado.

Queria ter a sabedoria
de dissertar monocordicamente
os ditos
e os contos todos
da sabedoria popular
democráticos e sempre certos
como boatos que se fazem
a razão
de a terem,
mesmo que a não tenham
porque no fim
a razão
se faz
do que sobrou de razões
espalhadas a esmo
na prece dos conventos por erguer
na pressa de tudo serem momentos
de prece que passam sempre.


domingo, 25 de dezembro de 2011

9 Analogias de tudo e de nada

1
É no papel que eu deixo escorrer
a estupidez do entendimento
numa matemática de números incertos
de charadas e linhas cruzadas
que passam por pensamento
e repetem, repetem no infinito
do finito
os resultados que nunca são iguais
de tanto se tentarem
nos atalhos e caminhos
que mudam como muda o tempo
e o sol e a chuva
e o ser que tenta, tenta sempre
no recreio de se perder.

A solução de tudo é tão evidente
e tão próxima
que também consegue ser a solução
de nada.  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

8 Precursos dos percursos

5
No início as duvidas não existiam
o tempo não emperrava
nas perguntas sem fim
e o sentir sem ferrugem era inato
e sempre certo.

Os precursos eram percursos por fazer
e tudo era certo como os dias
que começavam e acabavam.

Depois vieram as mortes físicas
as mortes mentais
de tentar apagar o que se acabou
e nunca o conseguir.

Sempre tive medo da entrega
que nos faz dependentes
e por isso me entrego
num exorcismo doloroso
ao que perco
em cada segundo
de entregas que faço
como se professasse a religião
de estar vivo
com a intensa fé
de por ela morrer.