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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

7 Elementos do Espirito

8
Metade do que por mim passa
eu perco, tentando entender
dos momentos,
os elementos que compõem,
os momentos.
A outra metade nem dela me apercebo
enquanto voo
talvez na face oculta da minha lua
vendo talvez com a lucidez
que depois esqueço
as longas visões de tudo
que a nada levam.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Não há comentarios

37
“De onde copia você o que escreve?”

Não me ri, ouvi serio e respeitosamente
e depois num acto de fé enumerei lentamente
as revistas e as vidas, os segundos e os momentos
que eu roubo e faço meus
as vidas que por mim passam e se fazem minhas
de eu sem lhes pedir licença
as aproveitar.
Os livros, os filmes, os passos que dou
e tantas vezes os que não dou
porque outros por mim o fizeram
e eu sem vergonha aproveito.
Senti o armário que sou nas gavetas tantas
numeradas e nomeadas que sem fim fui abrindo
aos momentos e por momentos escancarados
que longamente desfiei do novelo que afinal não é meu.

Quando quase sem fôlego parei, na curta pausa que fiz
e antes que vergonhosamente me esquecesse de o fazer
pedi licença para plagiar a palestra tão construtiva
que amenamente tínhamos tido.  

Não há comentarios.

O espirito, a alma, a consciência, ou como no meu caso, o desbloquear de um pensamento fixo, ergue sensações interiores, que imitam a fome e a sede, que são fome e sede, um vazio permanente, um entreter da cabeça, que viaja num regresso constante, ao pensamento fixo, ao estar vivo ainda e por isso escrevo, entretendo devagar os temperos e divagando sozinho,o meu sal e a minha pimenta, de ninguém mos comentar.
Não há comentarios, é verdade, se excluir a opinião que verbalmente me foi transmitida ontem, reenviando-me para Manuel Pina e a opinião varias vezes formulada, no encontro de poesia de Matosinhos, de nada haver de novo nas palavras, além de um copiar constante, de um roubo permanente, das miudezas que ganham cor e conteudo, filtradas em cada mente que sonha a magia de pensar, como se o fizesse num exclusivo,que afinal é de todos e é sentido, é procura, é identidade e é vida.Nada de novo, somente vida.
Há dois anos foi-me colocada a mesma dúvida e eu fantasiei uma resposta, no sossego de ser desnecessária.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

15 Medidas


23
Dividir com jeito
lentamente
como quem parte um pau
a meio
sucessivamente
dividindo a meio, cada meio
procurando a medida
o meio que permita
o retorno da unidade
perdida.









Silêncio e ausências

Quase tudo
se pode comparar a este percurso,
ao que nasce e ao que morre,
Do Sol e dos dias,
aos livros e vidas,
tudo teima um inicio e um fim.
Somos como bolas de um jogo de cores e afectos
e todas fazem falta
as cores e as bolas
e os afectos que se acumulam
conscientes, inconscientes
de serem o que sou aos pedaços
grandes ou pequenos
dispersos no tempo
de ainda parecer meu
o tempo do jogo
e de ser.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Continuação e fim

acredita e as volutas dos cigarros que a eternidade lhe reservou, enrolam-se nos meus sentidos embotados, incapazes de desmontar este edifício, de ruas e de gente, de concretos e palpáveis, do real e do impossível, que, genial, de uma cabeça brotou, como se fosse simples, esclarecer tudo para que tudo possa permanecer igual. Fazer o funeral da vida para que ela possa ressurgir mais forte, até no chocolate, nos marçanos e no capacho.
Estou agora a ler Caeiro e a sonhar não a morte mas a vida de tantos poetas num só, gostava de ser o menino que desce a encosta, o mistério de não haver mistério nenhum, o Deus que quis ser as pedras e as coisas e os rios, principalmente o pequeno rio de pouca gente da aldeia que desconheço. Mestre de uma paz que nada pede porque tudo aceita, como natural e bom, o concreto, o sentido das coisas é o sentido de elas serem o que são e não pensar em nada é o bastante.
Do Alberto torna-se impossível alcançar a paz da explicação de tudo, que não existe fora do que existe e por si se explica.
Do Álvaro torna-se insustentável a busca de tudo, numa busca de gigantes e de extremos, numa fuga impossível do real, que de si mesma se sustenta, canibal e incapaz de fugir ao circulo majestoso que se fecha nas estradas e caminhos que a nada levam mas tudo levam.
Da Pessoa que dizer, dos “delitros” às quadras ao gosto popular, do “sal de Portugal”, ao Reis que admiro, sem nele comungar, da mesma devoção quase divina de um crente que sabe ser descrente até ao mais intimo da sua crença e contudo ama a vida como a um deus e tudo quer saber, com a permanente noção de que nunca saberá nada, além da “metafísica de não pensar em nada”, ”consequência de estar mal disposto”.
Transeunte de tudo, até da própria alma, mangas-de-alpaca mesmo sem elas, o que dizer do discreto Bernardo, invisível de estar lá, vestido das vivências que o não deixam ficar nu e capaz do Universo na rua dos Douradores, mais o enigma de viver.
O que me vai na alma, na alma vai e comigo vai, cansado e sempre incapaz de sentir do percurso os passos que dei, nos que não dei.


Continuação

Invocar as musas do passado e ter a noção delas, que no presente não tem, sentir ainda mais o hiato que se sente, despejado e por invocar. Ter da janela a visão do real nítido e absoluto, dos seres e das coisas, no peso que em tudo se faz alheio.
Ter feito o que todos fizeram e invejar todos só por não serem ele. Ser o que não quis e o tempo passou e acomodado já não pode mudar mas contudo mantém a lucidez de quem longamente pensou e não o fez em vão. Sabe o que é de sublime no que pensa e no que deixa cantar as palavras.
A essência e a música dos versos, de onde partem, aonde vão, inúteis mas com início, sempre defronte da Tabacaria de defronte, sempre desencontrados de quem os faz, no tropeção do que não vale nada e por isso calca a consciência de estar existindo.
E a realidade palpável de repente surge, tudo tem o seu tempo curto, por mais longo que pareça, tudo é tão curto, na hora de acabar, que tudo se faz tão breve, pedaço a pedaço, nas fileiras do tempo e do espaço. Tudo se sucede e as ruas e as gentes surgem e depois vão e o mistério permanece, lá no fundo tão certo como o sono que tudo permite, de inúteis, de impossíveis, de reais que se fazem o concreto, o mistério e tudo.
E de repente o concreto visível, as dúvidas que pouco valem, na realidade que cai e se faz certa de uma energia, que se ergue e no que diz se faz certa e humana, dizendo o contrário.
Num cigarro, no saborear do momento, na pausa em que se libertam os pensamentos e do que fica se ergue a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Fumar, enquanto o destino conceder e, se o destino o quisesse feliz, talvez o fosse, mas já agora da cadeira se levanta. Vai à janela.
 E o concreto visível de novo surge, mais as dúvidas que nada valem, mas agora identificado e sem metafísica, acena e tudo sorri, para que o universo se possa reconstruir de novo, sem ideais nem esperança.
O que fazer do que é belo, se só por inteiro o consegue ser. Da rosa sobram sempre as pétalas, que fora dela nada valem, de um texto como a TABACARIA sobra sempre a beleza das imagens que dão o sal e a pimenta de um tempero genial. Tento, do stress do engenheiro citadino, sentir as preces do ateu que acredita que não