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sábado, 26 de novembro de 2011

9 Analogias de tudo e de nada

50
Há lodo no cais das minhas partidas
e uma flor por vezes
ou um sorriso de criança
e os meus, os meus
que me seguram,
amarrando
a minha fraqueza à força dos sonhos
que ainda posso
e como velas brancas por desfraldar
esquecidas do sonho das partidas
se faz o que enrolo
como mortalha
de um charro que nunca fumarei
e me enrola como velas esquecidas
de navegar ou de arder
de ser ou acabar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

8 Precursos dos percursos

39
Viver
é como cozinhar bacalhau
há mil maneiras de o fazer
e há quem o faça bem
e há quem o faça mal.

Do melhor peixe
uma porcaria pode surgir
enquanto do mais fraco
se consegue um petisco.

Na troca de sabores
que refrescam o paladar de sentir
tudo se aproveita do doce ao amargo
das espinhas, aos ossos
enquanto dura o tempo de comer.

No fim da refeição resta o fim dela
os sabores não voltam atrás
o que foi aproveitado num instante
é digerido no proveito dos momentos
no momento aproveitados
e acabados.

O meu filho decidiu desistir com o prato ainda cheio
e eu estou aqui
incapaz de o ensinar a comer a vida
com o apetite de um estômago vazio,
jovem e ávido.
Fui incapaz de lhe dar a paz
a paz, nem sempre possível, de comer da vida
os conflitos, as quebras e o que custa
que com ela se pagam
mantendo-a.




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

7 Elementos do espirito

39
Somos feitos
de areia amontoada

seca ou húmida

do vento ou da água
somos o recreio

somos a imagem
do acaso
que molda e desfaz
acumula e amontoa
e consegue dar tudo
parecendo nada dar

consegue ser tudo
parecendo não ser.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

6 Momentos

12
Curtas distancias se fazem tão distantes
curtos instantes se fazem tão
distantes.

Curtos passos, momentos e nada fica igual
do que parecia ficou a parecença
como um guia para o que houve.
A forma que há da forma que havia
um esqueleto de sensações
um apodrecer de sentimentos
alicerces que se desfazem
nos alicerces que se refazem.

Pedras que se movem
nas pedras que permanecem.
Tudo se faz mesmo sem ânimo
nem esperança.
Tudo se faz necessário
para que haja mudança.
Como tijolos da mesma fornada
do serem todos diferentes
se faz a igualdade que os assenta.


domingo, 20 de novembro de 2011

FRAGMENTOS 2 e 3

FRAGMENTO 2
A busca do real como um sonho que se esfuma
aos pedaços
lavados ou perdidos
acompanha-me em cada leitura da Tabacaria
perdido nas razões de não a ter
nunca
em cada leitura de serem sempre
diferentes
os momentos e a luz de cada um
enquanto me sinto
um amontoado de fragmentos
que se ajuntou
e desconheço
quase
completamente.

FRAGMENTO 3
O caminho é feito de passos
e cada um
por mais curto que seja
se faz uma unidade de um todo
abarcante e desconhecido
que passo a passo se vai esquecendo
mas permanece latente
num ter havido
em cada passo torto ou direito
a sensação de os ter tido
esquecido

de serem como gotas
que enchem um copo
que depois vazam

numa fuga quase insana do vazio antes
do vazio depois
enquanto dura esta sensação de vazio
duro e antes e depois
durante.

RTP

Os cinco pequenos livros, aqui contidos, foram entregues por intermedio de uma maravilhosa pessoa na RTP, posteriormente e como explicação/justificação, entreguei o texto de abertura deste blog ao jornalista Alberto Serra. Em Maio e devido ao premio Camões que Manuel Pina meritosamente ganhou, com toda a lógica fui imterrompido, aguardo agora o reatar do que já deveria estar feito. Sou essencialmente ansioso e depressivo, a vida voa, ainda ontem o negro que me cobriu de parecer que tinha perdido tudo, aconteceu e ainda aqui estou, dois anos e quase cinco meses depois. O vazio de tentar escrever extravazou numa gastroenterite de parecer que nada fica, do que tenho, do que sinto e no papel parece perdurar fora de mim. Estou no décimo sexto pequeno livro e texto a texto, de cada um, irei colocar uma amostra de momentos cristalinos e aparentemente sentidos.
No dia treze de Novembro, coloquei neste blog, com o titulo FRAGMENTOS, três pequenos textos que agora estão diferentes.

Estive a conversar sobre tendências
e a falta de isenção
que acompanha cada cabeça
nesta visão por fragmentos
única possível
para quem só vê o Sol
ou a sombra
a frente
ou as costas
e de cada fragmento tenta o juízo de um todo
que nunca viu por inteiro

na mesma hora os fragmentos todos
no momento inteiro.











  

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fragmentos

Estive a conversar sobre tendências e a falta de isenção, que acompanha cada cabeça, nesta visão de fragmentos, única possível para quem só vê o Sol, ou a sombra, a frente, ou as costas e de cada fragmento tenta o juizo do todo.




A busca do real como um sonho que se esfuma, aos pedaços, lavados ou perdidos, acompanha cada leitura, da Tabacaria e todas são diferentes de a luz do momento nunca ser a mesma e nós sermos um amontoado de fragmentos que ajuntamos e desconhecemos, quase sempre, completamente. 



O caminho é feito de passos e cada um, por mais curto que seja, é uma unidade de um todo, que passo a passo se vai esquecendo mas permanece no ter havido, em cada passo torto ou direito, de o serem como
gotas que enchem um copo e depois vazam,